
Há cem anos, morreu em Porto Alegre o primeiro comandante-geral da Brigada Militar (BM). Joaquim Pantaleão Telles de Queiroz esteve à frente da corporação entre 1892 e 1896. Ele também foi marechal do Exército Brasileiro.
O perfil do militar foi enviado ao Almanaque Gaúcho pelo pesquisador Daniel da Silva Adriano, tenente-coronel da reserva da Brigada Militar. Queiroz nasceu em Porto Alegre, em 11 de agosto de 1857. Era filho de Amélia da Silva Telles e do capitão da Guarda Nacional Jaime da Silva Telles, que morreu de cólera-morbus na Guerra do Paraguai.
O jovem porto-alegrense, que também teve tios militares, sentou praça no Exército em 1874. Engenheiro militar por formação, serviu em unidades de cavalaria e artilharia. Em São Gabriel, conheceu Fernando Fernandes Abbott, criador da Brigada Militar quando assumiu interinamente o governo do Rio Grande do Sul. Em 15 de outubro de 1892, ainda major do Exército, Queiroz foi nomeado o primeiro comandante-geral da nova corporação, sendo comissionado no posto de coronel.
Considerado o primeiro brigadiano, ele organizou a instituição para enfrentar os federalistas, contribuindo para a vitória do grupo de Júlio de Castilhos na Revolução Federalista (1893–1895), a “guerra da degola”.
Ficou no comando da Brigada Militar até 30 de julho de 1896, quando retornou ao Exército. O militar gaúcho alcançou o posto de marechal em 1920, ao ser reformado. Joaquim Pantaleão Telles de Queiroz faleceu em 25 de março de 1926, aos 68 anos, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC), sendo sepultado no Cemitério da Santa Casa de Misericórdia.
— Ao recordarmos o centenário da morte, não se evoca apenas o oficial de espada à cintura, mas o fundador que inaugurou uma tradição. Em meio às crises da República nascente, soube forjar uma força disciplinada e firme, capaz de proteger o Estado e dar continuidade à longa linhagem de militares gaúchos formados no fogo da guerra — destaca Adriano.
Baseado na experiência no Exército, Queiroz imprimiu na Brigada Militar espírito técnico, planejamento e rigor hierárquico. A corporação foi criada com a missão de zelar pela segurança pública e pela conservação da República e do governo do Estado.
A família Telles — que também aparece com a grafia Teles — era proprietária de terras na Avenida Protásio Alves, em Porto Alegre, onde hoje fica a Churrascaria Barranco. Queiroz foi casado com Perpétua Ávila das Chagas (1860–1911), filha do Barão de Candiota.
Familiares do primeiro comandante-geral da BM foram homenageados em ruas do bairro Petrópolis: Rua Jaime Teles (pai), Rua Amélia Teles (mãe) e Rua Perpétua Teles (esposa).
Joaquim Pantaleão Telles de Queiroz tinha o mesmo nome de um tio paterno, militar que morreu em batalha na Guerra do Paraguai, o que gera muitas confusões.
O tio, que já foi homenageado na Rua Pantaleão Telles (atual Rua Washington Luiz), é lembrado hoje na Praça Major Joaquim de Queiroz, no bairro Santana. João Batista da Silva Telles, outro tio, dá nome à Rua General João Telles, entre os bairros Independência e Bom Fim.



