O incêndio com maior número de mortos da história de Porto Alegre completa 50 anos. Na tarde de 27 de abril de 1976, o fogo destruiu o tradicional prédio das Lojas Renner, na esquina da Rua Dr. Flores com a Avenida Otávio Rocha. No local, pelo rádio ou pela televisão, os gaúchos acompanharam, aflitos, o combate às chamas e os salvamentos. O trágico episódio terminou com 41 mortes e dezenas de feridos.
Os bombeiros receberam o primeiro pedido de socorro às 14h08. Os telefones passaram a tocar sem interrupção. Em pouco tempo, as chamas tomaram a loja de departamentos, onde estariam cerca de 350 pessoas, entre funcionários e clientes. O edifício era formado por quatro prédios que haviam passado por ampliações e reformas ao longo do tempo.
As ruas do entorno logo foram ocupadas por uma multidão, que assistia ao desespero de pessoas nas janelas. O incêndio mobilizou cerca de 200 homens da Brigada Militar, entre policiais e bombeiros. O Exército ajudou no isolamento da área. Toda a rede de hospitais foi mobilizada para receber feridos.
A operação de combate revelou limitações dramáticas. Os bombeiros operavam com apenas duas escadas mecânicas para remoção de vítimas nos andares mais altos. Sem hidrantes suficientes, foi necessário recorrer ao Guaíba. Mangueiras foram estendidas ao longo da Rua Dr. Flores até o rio, passando por cima do muro da Avenida Mauá. Caminhões-tanque buscavam água em hidrantes de outros pontos do Centro Histórico.
No alto, helicópteros tentaram auxiliar, mas o deslocamento de ar das hélices acabava alimentando ainda mais o fogo, impedindo o resgate pelo teto. Grades nas janelas e escadarias estreitas selaram o destino de muitos que não conseguiram sair a tempo.
A destruição não se limitou ao prédio da Renner. Ao cair da noite, o fogo já havia consumido o Armazém Riograndense, vizinho da Avenida Otávio Rocha, e atingido, com menores danos, a Imcosul, loja no lado da Rua Dr. Flores.
Causa
Os peritos do Instituto de Criminalística (atual IGP) concluíram que a tragédia foi provocada pela “ação de corpo ígneo (cigarro, palito de fósforo, etc) caído ou lançado, acidental ou propositalmente, sobre material combustível”. Também identificaram “insuficiência de meios de prevenção” e “deficiências arquitetônicas”. O fogo teria começado nos fundos do 1º andar, próximo à escada de emergência, onde estavam embalagens plásticas, palha e um depósito de tintas e solventes, o que provocou grandes explosões a partir de uma fagulha.
Implosão
Destruído pelo incêndio, o prédio da Renner foi implodido em 30 de maio de 1976. Naquele domingo, os explosivos foram acionados às 8h51. Em seis segundos, os oito andares foram transformados em escombros. Um novo prédio, ocupado pela loja, foi construído no terreno.
Consequência
Depois da tragédia, a segurança contra incêndios passou a ser tema prioritário em Porto Alegre. A primeira providência foi o lançamento de uma campanha, liderada por empresários e veículos de imprensa, para angariar fundos destinados à instalação de novos hidrantes. Cerca de mil pontos foram implantados. Leis foram sancionadas naquele ano, com normas de proteção contra incêndios e vistoria obrigatória em prédios.



