
A Escola Normal de Porto Alegre foi a primeira instituição de formação de professores primários no Rio Grande do Sul. Em maio de 1869, começaram as atividades no segundo andar do sobrado do Liceu Dom Afonso, na esquina da Rua Riachuelo com a Rua General Câmara, no terreno onde hoje fica a Biblioteca Pública do Estado.
O padre Joaquim Cacique de Barros foi convidado pelo presidente da província para organizar e dirigir a instituição de ensino. Ele também lecionava Pedagogia, Religião e Gramática, além de atuar como professor substituto nas aulas de História e Geografia.
O cargo estava diretamente ligado ao grupo político no poder. Padre Cacique permaneceu na direção até 1873, em função das boas relações com o Partido Conservador. O religioso também era diretor do Asylo e Colégio Santa Thereza, instituição que acolhia órfãs deixadas na roda dos expostos da Santa Casa de Misericórdia. Ele encaminhou muitas meninas para a carreira no magistério.
Diferentemente do Liceu Dom Afonso, a Escola Normal aceitava a presença feminina desde o início. Pela manhã, as aulas eram frequentadas por rapazes, e à tarde, pelas moças. No primeiro ano, foram 12 alunos matriculados, sendo três homens e três mulheres aprovados para o segundo ano. Em 1872, foram diplomados 20 "alunos-mestres", quatro homens e 16 mulheres.
A Escola Normal, ao longo do tempo, teve outros nomes - Escola Distrital e Escola Complementar - e ocupou diferentes prédios. Em 1934, o interventor federal, general Flores da Cunha, ordenou a construção do imponente edifício na Avenida Osvaldo Aranha, próximo ao Parque da Redenção. O nome foi alterado, em 1939, para Instituto de Educação General Flores da Cunha, tradicional escola da rede estadual de ensino.
Livro
A história da Escola Normal e de outras instituições de ensino da cidade é contada no livro Caminhos da Educação em Porto Alegre: entre o consagrado e o esquecido (Pimenta Cultural), organizado por Dóris Bittencourt Almeida, professora da Faculdade de Educação/UFRGS, Frederico Duarte Bartz, Marcos Luiz Hinterholz e Sibila Francine Tengaten Binotto, servidores técnicos da UFRGS.

A publicação foi idealizada a partir de um projeto de extensão desenvolvido pelo Centro de Memórias da Faculdade de Educação (CEME-Faced/UFRGS). O trabalho reuniu textos de 22 pesquisadores.
O livro traz roteiros de cinco caminhadas por bairros de Porto Alegre, desenvolvidos desde 2023 pelo Caminhos da Educação, projeto inspirado no Caminhos Operários, ação de extensão coordenada por Frederico Bartz. A programação das próximas atividades pode ser acompanhada pelo perfil no Instagram (@centrodememoriasdaeducacao).





