Um grupo de escoteiros de Porto Alegre protagonizou uma aventura em 1914. Quatorze meninos, com idades entre 12 e 15 anos, partiram rumo a Blumenau, percorrendo grande parte do trajeto a pé. Acompanhados de um adulto, também viajaram de trem e barco.
Durante seus 95 anos de vida, o alemão Guilherme (Willy) Hugo Fick contou inúmeras vezes os detalhes da jornada a amigos, filhos e netos. Em 1986, sua companheira, Hilda Iris Zwanziger, resolveu registrar a história. As folhas datilografadas em alemão serviram de base para o resgate feito por Ricardo Hildebrand, neto de Willy, que escreveu o livro A Grande Jornada — Os Meninos Pioneiros do Turismo de Aventura, editado pelo jornalista Fernando di Primio.
Os meninos foram acompanhados pelo chefe Georg Black, um alemão de destacada atuação na ginástica e em outros esportes na Sogipa, então chamada Turnerbund. Em viagem a um festival de ginástica na Alemanha, ele conheceu o movimento escoteiro, criado por Robert Baden-Powell na Inglaterra. No retorno, em 13 de outubro de 1913, fundou um grupo que hoje leva seu nome: Grupo Escoteiro Georg Black.
A viagem partiu de Porto Alegre em 27 de dezembro de 1914. O primeiro trecho foi percorrido de trem até Taquara. A jornada seguiu a pé, passando por São Francisco de Paula, Barragem do Salto, Tainhas e Azulega. Em 31 de dezembro, pernoitaram no topo do Cânion Itaimbezinho. O grupo começou o ano de 1915 descendo a Serra do Faxinal, rumo à Praia Grande.
— Era o trecho mais importante nas histórias contadas pelo meu avô. Ele sempre lembrava da perigosa trilha de tropeiros — recorda Hildebrand.

Em Torres, os escoteiros chegaram em 2 de janeiro de 1915. Pela beira da praia e trechos de mata, seguiram até Florianópolis, onde embarcaram em barco rumo a Itajaí. A última parte foi feita a pé. Em Blumenau, passearam, conheceram indústrias e confraternizaram com um grupo de escoteiros local.
Além de Willy Fick, participaram da jornada os meninos Adão Waldemar Kuwer (Nuki), Adib Curi Maluf, Edmar Hans Arthur Eichenberg, Emílio Heuser, Georg Johan Black, Hans Karl Martins Zimmer, Hermann Friedrich Wilhelm Reimer, José Carlos Daudt (Cacalo), Karl Black (Kaco), Nicolai Köhler, Oscar Daudt Filho (Oka), Oscar Wende e Otto Blauth.
O retorno a Porto Alegre foi todo por navegação, primeiro até Itajaí e, posteriormente, até Rio Grande e Porto Alegre. Eles chegaram aproximadamente 40 dias após a partida. A aventura, com algumas alterações de percurso, foi repetida no ano seguinte.
O lançamento do livro, com sessão de autógrafos, será nesta quinta-feira (9), a partir das 18h, na Livraria Santos, no Pontal Shopping, em Porto Alegre. A publicação pode ser comprada com o autor (WhatsApp 51 99163-2021).






