Depois de trabalhar e prosperar em Pelotas, o italiano Domenico Sacco largou tudo para lutar na Primeira Guerra Mundial. Ele morreu em batalha e foi reconhecido como herói na Itália. O imigrante veio com a família para o sul do Brasil no final do século 19.
A história do italiano é resgatada no livro A última fronteira de Domenico Sacco, escrito por Flávio Sacco dos Anjos. Em um romance baseado em fatos reais, o professor e pesquisador da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) conta a trajetória de seu tio-bisavô. A publicação está à venda na Amazon, nas versões impressa e digital.
Domenico era o mais jovem dos filhos de Giuseppe Sacco e Maria Rosa Pacelli. Chegou a Pelotas com 17 anos, em agosto de 1898. A família Sacco deixou para trás a Comune de Buccino, localidade situada em uma paisagem áspera da província de Salerno, na Campânia.
Exímios funileiros, prosperaram na cidade gaúcha. A família decidiu empreender, além da funilaria, em uma fábrica de conservas de pêssego e de massa de tomate, aberta em 1905.

No sul do Estado, em meio à pujante atividade industrial, cresciam os movimentos de luta dos trabalhadores. Domenico, simpatizante do anarquismo, participava de grupos que contestavam a ordem burguesa e o poder da Igreja Católica.
Os negócios iam bem, e a família crescia com a chegada dos primeiros netos, fruto dos casamentos dos dois filhos mais velhos, Vincenzo e Michele, com moças também oriundas do Mezzogiorno italiano.
Em 1914, explode a Grande Guerra, posteriormente denominada Primeira Guerra Mundial. A Itália entra no conflito dos vizinhos em 1915. Contrariando o desejo da família, Domenico, então com 35 anos, decidiu juntar-se ao contingente de 392 ítalo-brasileiros do Rio Grande do Sul que retornaram à Itália para lutar como voluntários.
— Acredito que o amor pela Itália o moveu a retornar e deixar tudo para trás, família e patrimônio — avalia Flávio Sacco dos Anjos.
Domenico integrou a 175ª Bateria de Bombardeiros. Lutou nas áridas terras do Carso e no Alto Isonzo. Viveu os horrores da "Disfatta de Caporetto", batalha que levou à queda do comandante supremo Luigi Cadorna.
A Itália sangrava. Pela primeira vez, o embate contra os soldados do Império Austro-Húngaro, apoiados pelo poderoso exército alemão, ocorreria dentro do território italiano. Era preciso reagrupar as forças, conter o avanço inimigo, que já se encontrava, perigosamente, a apenas 65 quilômetros de Veneza.
O italiano que deixou o Brasil viveu aqueles dias em que uma cadeia de montanhas se converteu na última fronteira de um país dilacerado. "Monte Grappa, tu sei la mia patria" tornou-se palavra de ordem e, posteriormente, hino para os soldados italianos.
Em Monte Grappa, Domenico Sacco morreu aos 36 anos, em 18 de novembro de 1917, naquela que é considerada a primeira vitória italiana, a "Battaglia d'Arresto". Não deixou mulher nem filhos.
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