As pedras irregulares da Rua Júlio de Castilhos, em Rio Pardo, guardam uma história de mais de 200 anos. Construída por escravizados em 1813, a popular Rua da Ladeira é considerada a primeira via pavimentada do Rio Grande do Sul.
Em recente visita à cidade, ponto de resistência dos portugueses às investidas espanholas no passado, desci e subi a histórica lomba. A Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário fica na parte baixa.
Se hoje a irregularidade das pedras provoca desconforto para quem passa de automóvel, certamente a pavimentação representou um grande avanço para o trânsito de pessoas e carroças em outros tempos. É possível imaginar o desafio que seria o deslocamento, especialmente em dias chuvosos, na íngreme rua de terra.
A via calçada conectou o alto da Fortaleza Jesus Maria José, construída em 1752, à área residencial e comercial, concentrada nas proximidades do Rio Jacuí.
No alto da Rua da Ladeira, junto à Rua Andrade Neves, é possível avistar o casario antigo preservado e a igreja matriz. Uma placa informa o tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), na década de 1950.
As pedras foram retiradas, provavelmente, do Rio Jacuí ou da localidade de Rincão Del Rey. A construção possui escoamento da água da chuva pelo centro, uma influência de técnicas de origem romana.
A Rua Júlio de Castilhos já teve outros nomes: Rua Direita, Rua do Imperador e Rua Silveira Martins.
— A história de Rio Pardo é uma história internacional. A cidade surge com um objetivo claro, proteger o território português a partir do Tratado de Madrid. Se o sul do Brasil fala português, é por causa de Rio Pardo, a Tranqueira Invicta. É o ponto de resistência da ocupação espanhola. Quem visita a Rua da Ladeira conhece a essência do que é ser gaúcho. Não tem como não se emocionar e sentir a história viva — destaca Stephanie Della Giustina, historiadora e proprietária do Seu Domingos Gastronomia e História.
No topo da Rua da Ladeira, ficam dois prédios históricos: o Solar dos Panatieri (1798), onde funciona o restaurante Seu Domingos, e o sobrado da antiga prefeitura (1851), que atualmente está em reforma.




