Colecionar figurinhas faz parte dos preparativos dos brasileiros antes de uma Copa do Mundo de futebol. É um momento de confraternização entre familiares e amigos: compras, trocas e jogos de bafo. A abertura dos pacotes gera grande expectativa.
O jornalista Marcelo Duarte fez um precioso resgate da história das figurinhas e dos álbuns no Brasil. Lançado pela Panda Books, O álbum dos álbuns de figurinhas das Copas traz imagens, informações e curiosidades sobre todas as coleções desde 1934.
O primeiro álbum de figurinhas brasileiro começou a circular no início dos anos 1900, antes mesmo das Copas do Mundo da Fifa. Era uma publicação da tabacaria Estrela de Nazareth. Cada uma das 60 figurinhas correspondia à bandeira de um país. As primeiras figurinhas de futebol apareceram em 1919.
O primeiro álbum de Copa do Mundo foi lançado no Uruguai, pelas Balas Glorieta, em 1932. O álbum El Deportista, de 40 páginas, trazia figurinhas de dez times uruguaios, além dos jogadores da seleção celeste que conquistaram as medalhas de ouro no futebol das Olimpíadas de 1924 e 1928, e também dos finalistas da Copa do Mundo de 1930 (Uruguai e Argentina).
A Copa de 1934, realizada na Itália, foi a primeira com figurinhas no Brasil, ainda avulsas, sem álbum para colagem. Apresentada como “Team Brasileiro Internacional”, a coleção foi lançada pelas Balas Vênus.
Em 1938, o Brasil terminou em terceiro lugar e Leônidas foi o artilheiro da Copa na França. No retorno, o jogador fechou contrato para ter seu nome e sua imagem estampados no produto da fábrica de cigarros Sudan. Leônidas foi a figurinha número um. Além dos retratos dos atletas, os cigarros vinham com fotos de cenas de jogos e desenhos de gols.
O primeiro álbum de Copa só foi lançado no Brasil em 1950, pelas Balas Futebol. A indústria paulista A Americana vendeu milhares de exemplares, apesar de ter sido lançado após a derrota brasileira na final. Muitas pessoas não gostavam da bala, que era descartada, já que o interesse estava nas figurinhas. O álbum Balas Futebol – Craques do Campeonato Mundial de Futebol 1950 trazia as 13 seleções participantes. Uma figurinha “carimbada” por página era produzida em menor quantidade e, portanto, mais difícil de encontrar.
No Rio Grande do Sul, em 1950, também foi lançado um álbum no Grande Concurso das Balas Esportivas. Começava com cromos dos sete principais times gaúchos e, depois, apresentava as 13 seleções da Copa do Mundo, já na ordem da classificação final, com o Uruguai à frente do Brasil. O álbum completo dava direito a prêmios, como uma bicicleta ou um aparelho de rádio.
Os títulos da seleção brasileira em 1958 e 1962 impulsionaram a produção dos álbuns, que passaram a oferecer prêmios e viraram uma febre. Marcelo Duarte também resgata coleções clássicas, como a do chiclete Ping Pong na Copa de 1982 e dos salgadinhos da Elma Chips na Copa de 1990.

A Panini lança álbuns desde 1970, mas só chegou ao Brasil duas décadas depois, em parceria com a Editora Abril. A partir de 1998, a editora italiana passou a atuar sozinha e globalizou a publicação.
O autor
Marcelo Duarte é jornalista e escritor. Apresentou o programa “Loucos por Futebol”, da ESPN-Brasil, por doze anos. Cobriu presencialmente cinco Copas do Mundo e coleciona álbuns de figurinhas dos mundiais desde 1970. É autor também da coleção O Guia dos Curiosos e de 100 camisas que contam as histórias de todas as Copas. Atualmente preside a Academia Brasileira de Letras do Futebol.



