Os bondes já foram o principal meio de transporte de massa nas principais cidades brasileiras. Em 1859, o imperador Pedro II inaugurou, no Rio de Janeiro, a primeira linha regular do país. Sobre trilhos, o veículo era puxado por burros ou mulas.
Outras cidades também implantaram linhas movidas por tração animal. A chegada da eletricidade, a partir do fim do século 19, permitiu a ampliação do sistema, com carros maiores, mais confortáveis e velozes.
A ascensão dos ônibus selou o fim dos bondes. Em Porto Alegre, por exemplo, o sistema de transporte operou entre 1864 e 1970.
Em visita recente a Santos, pude voltar no tempo em um passeio turístico em um bondinho restaurado, com suas características originais. Embarquei em um veículo aberto, com nove bancos e capacidade para 45 passageiros, fabricado em 1911, na Escócia. O carro circulou no transporte regular da cidade portuária paulista até 1971.
A prefeitura de Santos mantém uma linha turística. A saída ocorre na Estação do Valongo, prédio inaugurado em 1867. Os elétricos dos séculos 19 e 20 percorrem ruas do Centro Histórico. Durante o trajeto, de aproximadamente 20 minutos, um guia apresenta os principais prédios e conta um pouco da história local.
Outros bondes também operam na linha. Curiosamente, um antigo carro de tração animal, de 1871, foi adaptado para funcionar como reboque. Com 24 lugares, é uma raridade. Com o acervo de veículos preservados, a prefeitura prepara a implantação de um museu ferroviário.

O ingresso para o passeio custa R$ 7. Ao lado da estação ferroviária, ponto de partida do bonde, fica o Museu Pelé, com entrada gratuita.
O bondinho de Santos pode servir de inspiração para Porto Alegre e outras cidades gaúchas que buscam promover o turismo e resgatar a própria história. Quem andou nos bondes do passado mata a saudade. Quem nasceu depois da extinção do transporte - como eu - vive uma experiência única.






