
Se não fosse José Marcelino de Figueiredo, como seria hoje a ocupação do território de Porto Alegre? Onde estaria a capital do Rio Grande do Sul? O português governou a Capitania do Rio Grande de São Pedro em dois períodos: de 1769 a 1771 e de 1773 a 1780.
Considerado o fundador de Porto Alegre, o militar faleceu em 1814, em Portugal. Ele é homenageado na Avenida Sepúlveda, que liga a Praça da Alfândega ao Cais Mauá, no Centro Histórico. Não estranhe o nome do logradouro. Sepúlveda era o verdadeiro sobrenome do responsável por transferir a capital de Viamão para a freguesia de Nossa Senhora Madre de Deus de Porto Alegre em 1773.
Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda, filho de Antônio Gomes de Sepúlveda e Maria Luiza Pereira, nasceu em 1735, na vila de Bragança, na província portuguesa de Trás-os-Montes. O pai fez carreira militar, mas a família não era nobre.
Em 1764, apenas dois anos após o tardio ingresso na carreira militar, Manuel se envolveu em uma briga que alteraria seu destino. O capitão de cavalaria matou, com uma estocada na barriga, um capitão escocês.
Em artigo na edição 140 da Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, o historiador Fábio Kühn conta que, “ao invés de ser condenado à morte, como fora decidido pelo Conselho de Guerra que julgou seu caso, foi efetivamente promovido, pois, em dezembro de 1764, obteve a concessão da patente de coronel do regimento da cavalaria auxiliar, tendo sido enviado secretamente para o Brasil”. Sepúlveda veio ao Rio de Janeiro com outro nome: José Marcelino de Figueiredo.
O militar chegou pela primeira vez à capitania do sul em 1767. Atacou Rio Grande, que estava sob ocupação espanhola. Não conseguiu retomar a antiga capital, mas os portugueses voltaram a dominar a margem norte do canal da Lagoa dos Patos.
Com a capital já estabelecida em Viamão, José Marcelino foi nomeado governador da capitania em 1769. No livro Pequena História de Porto Alegre, Walter Spalding relata que, desde o início, o português pretendia transferir a administração para o Porto dos Casais, às margens do Guaíba. Por desentendimentos com o vice-rei Marquês do Lavradio em função de outras questões, foi afastado do cargo em 1771.
De acordo com Spalding, ao retornar ao Rio de Janeiro, José Marcelino continuou articulando a mudança da capital. Escolheu uma colina com plantações de trigo — onde hoje está a Praça da Matriz — pertencente a Inácio Francisco. Em 26 de março de 1772, provisão régia desmembrou o Porto dos Casais de Viamão. O bispo do Rio de Janeiro, D. Frei Antônio do Desterro, criou a freguesia de São Francisco do Porto dos Casais.
Um edital eclesiástico de 18 de janeiro de 1773 alterou o nome para Nossa Senhora Madre de Deus de Porto Alegre. Com o título de brigadeiro, José Marcelino foi novamente nomeado governador em 5 de abril de 1773. As obras da nova capital já estavam em andamento. Mesmo sem a conclusão do palácio do governo, em ofício de 25 de julho, comunicou a transferência de sua residência para Porto Alegre. A Câmara de Vereadores realizou a primeira sessão na nova capital em 6 de setembro daquele ano.
Origem no nome
A escolha do nome Porto Alegre é atribuída a José Marcelino e não tem relação com a suposta felicidade dos casais açorianos que chegaram em 1752. A referência foi a localidade de Portalegre, no Alto Alentejo, símbolo de resistência portuguesa nas disputas com os espanhóis na Europa.
Além de consolidar Porto Alegre como capital, José Marcelino, ou Sepúlveda, teve papel fundamental na garantia dos territórios portugueses em disputa com os espanhóis na América do Sul.






