O Colégio Estadual Júlio de Castilhos, o Julinho, faz parte da vida de gerações de gaúchos. Pela sua história e pelo engajamento de alunos e professores na sociedade, é referência na rede estadual de ensino em Porto Alegre. A tradicional escola, que comemora aniversário em 23 de março, completa 126 anos.
Com o nome Gymnasio do Rio Grande do Sul, o colégio nasceu dentro da Escola de Engenharia. O objetivo era melhorar a formação de jovens para o ingresso no ensino superior. Cherubim da Costa foi o primeiro diretor nomeado. Em homenagem ao ex-presidente do Estado, posteriormente, o nome foi trocado para Ginásio Júlio de Castilhos.
Em 23 de março de 1900, o diretor da Escola de Engenharia, João José Pereira Parobé, assinou o estatuto da faculdade e do curso preparatório. Pelo texto, o curso ginasial previa disciplinas como desenho, português, literatura, francês, inglês, alemão, latim, grego, matemática, mecânica, astronomia, física, química, história, geografia e lógica.
Em notas publicadas no jornal A Federação, a direção informava que as matrículas para os três anos do Ginásio ficariam abertas entre março e abril. A admissão era feita por meio de provas escritas e orais. As aulas ocorriam no prédio da faculdade. Inicialmente, as turmas eram formadas apenas por meninos.
A Escola de Engenharia construiu um belíssimo palácio para o Ginásio Júlio de Castilhos no início da década de 1910, na Avenida João Pessoa. O imponente edifício foi local de estudos de ilustres gaúchos.
Na década de 1940, meninas passaram a ser aceitas. Também foi adotado o nome Colégio Estadual Júlio de Castilhos, já desvinculado da faculdade.
A escola tem relevantes legados, como a formação de uma famosa banda marcial e o berço do Movimento Tradicionalista Gaúcho. Um grupo de ex-alunos, liderado por Paixão Côrtes, deu origem à primeira Chama Crioula, em 1947, e formou um Departamento de Tradições Gaúchas.
O prédio histórico foi destruído por um incêndio em 1951. A Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) ocupa hoje o terreno. Durante mais de seis anos, sem sede própria, as aulas ocorreram no Arquivo Público do Estado. Em 1958, foi inaugurado o prédio atual, junto à Praça Piratini, no bairro Santana.

A nova sede permitiu a ampliação das turmas. O Julinho é reconhecido pela força do movimento estudantil e pela mobilização de professores pela valorização da carreira.
Em 1999, ex-professores e ex-alunos criaram a Fundação de Apoio ao Colégio Estadual Júlio de Castilhos, que realiza trabalho voluntário para apoiar e prestigiar a escola.


