Por mais de três meses, uma grande exposição agitou Porto Alegre em 1901. O evento foi idealizado como vitrine da indústria, da agropecuária, da arte e das belezas dos municípios gaúchos. Em um cenário ainda marcado pela divisão política escancarada pela Revolução Federalista, a Exposição Estadual do Rio Grande do Sul serviu como poderosa ferramenta de propaganda para o governo de Borges de Medeiros, então presidente do Estado.
A inauguração reuniu políticos, representantes da Igreja Católica, empresários, altos funcionários públicos, figuras da elite e o povo em 24 de fevereiro de 1901, um domingo. Governo do Estado, municípios e empresas construíram pavilhões na parte alta do Campo da Redenção, área hoje ocupada pelo campus central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). O prédio da Escola de Engenharia, ainda preservado, era o pavilhão central.
Em seu discurso, Borges de Medeiros foi enfático ao declarar que o evento era "destinado à glorificação da indústria rio-grandense". A solenidade contou com apresentação de orquestra regida por Araújo Vianna, que executou uma marcha solene composta especialmente para a exposição.
A comissão organizadora foi presidida pelo intendente de Porto Alegre, José Montaury. Na abertura, ele destacou que a feira industrial, comercial e científica contava com 2,2 mil expositores e 57 municípios representados. As principais indústrias do Estado estavam presentes com pavilhões ou estandes. O evento também teve exposição de animais: bovinos, equinos, ovinos e suínos. O público viu pássaros e até uma onça em recintos montados. O pavilhão da apicultura era o queridinho dos visitantes.
Bandas de música se apresentaram em um anfiteatro. Um cinematógrafo foi montado na parede da Escola de Engenharia. Sem sala fixa de cinema na cidade, os gaúchos podiam assistir, na festa, às encantadoras imagens em movimento.

No pavilhão da cidade de Caxias do Sul, por exemplo, uma banda animava os visitantes que conferiam a produção das vinícolas da Serra. A intendência de Porto Alegre montou espaço próprio para destacar as empresas da cidade. A loja Bromberg exibiu maquinário agrícola, e a indústria E. Berta apresentou seus produtos de ferro. A firma Luiz Rothfuchs & Irmão mostrou carruagens, inclusive uma fúnebre, toda dourada e forrada de veludo negro.
O jornal A Federação registrou a presença de 8 mil pessoas no primeiro dia. Com luz elétrica, a festa também ocorria à noite, misturando negócios e atividades culturais.
A exposição foi encerrada em 2 de junho de 1901. No balanço final apresentado por José Montaury, foram contabilizadas 1.190 premiações a produtos e animais. Empresas, orgulhosas, publicavam anúncios nos jornais e almanaques destacando os prêmios que atestavam a qualidade de sua produção.
Porto Alegre somava pouco mais de 70 mil moradores no início do século 20. O evento deixou legados importantes. Criado em 1903, o Museu de História Julio de Castilhos ficou com a guarda de materiais coletados para a feira e, inicialmente, ocupou dois pavilhões construídos no Campo da Redenção. A exposição estadual, que em 1909 começou a ser realizada no Menino Deus, é o embrião da Expointer.
Conheça a história de indústrias do RS:
- Azevedo Bento
- Cervejaria Bopp
- Cervejaria Continental
- Cervejaria Christoffel
- Cervejaria Pérola
- Cervejaria Polar
- Chapéu Kessler
- Chocolate Haenssgen
- Chocolate Neugebauer
- Cofre Berta
- Companhia Fábrica de Vidros Sul-Brazileira
- Fábrica Rio Guahyba Fiação e Tecelagem
- Frederico Mentz
- Fogão Geral
- Fogão Wallig
- Fruki
- Gaita Veronese
- Gerdau
- Geladeira Steigleder
- Guaraná Record
- Jimo
- Mercur
- Moinho Germani
- Mu-Mu
- Pastelina
- Pepsi
- Rádio Teleunião
- Renner
- Soprano
- Todeschini
- Tramontina
- TV Admiral
- Xalingo

