Construído a partir do final da década de 1920, o Viaduto Otávio Rocha, em Porto Alegre, é belo e funcional. A obra abriu caminho do Centro Histórico para a Zona Sul. O cartão-postal da cidade passou por um demorado processo de revitalização nos últimos anos.
A construção fez parte de plano de modernização da capital gaúcha. A Rua General Paranhos (atual Avenida Borges de Medeiros) precisava ser alargada, mas o desafio era vencer o morro por onde passa a Rua Duque de Caxias.
A administração municipal iniciou, em 1926, a escavação. A falta de recursos logo paralisou os trabalhos.
Em 1927, o governo municipal abriu concurso público de arquitetura. As soluções apresentadas em duas propostas não agradaram ao intendente Otávio Rocha, que optou pelo projeto de um terceiro engenheiro, fora da disputa.
Manoel Itaqui, já reconhecido por outras construções importantes, fez o esboço a lápis, em papel de embrulho, durante conversa com o amigo intendente. A ideia de escadarias e rampas transformou a subida até a Rua Duque de Caxias em um agradável passeio. A história é contada no livro Viaduto Otávio Rocha: ícone da Porto Alegre moderna (Editora Concórdia), do arquiteto Lucas Volpatto.
Otávio Rocha morreu em fevereiro de 1928 e não viu o início das obras, que ficaram sob responsabilidade do sucessor, Alberto Bins. A construtora alemã Dyckerhoff & Widmann venceu concorrência internacional para executar o projeto. O contrato foi assinado em 31 de outubro de 1929.
Centenas de quilos de dinamite destruíram a rocha, criando o vão. Em 22 de janeiro de 1930, uma falha provocou detonação descontrolada. Uma grande pedra atingiu e matou Lourival Toscano Barbosa, que caminhava perto das obras.
Após a tragédia, a empresa trouxe o engenheiro alemão Wilhelm Stein, especialista em explosivos na Primeira Guerra Mundial. Por segurança, conforme alertava a imprensa, uma sirene era acionada cinco minutos antes das detonações, sinal para que as pessoas procurassem abrigo.
Devido ao atraso nas desapropriações ao longo do trajeto, o prazo de um ano para a construção não foi cumprido. Em 1931, o viaduto foi liberado para a passagem dos bondes sobre a ponte, na Rua Duque de Caxias. Sem cerimônia oficial, a obra foi considerada concluída em 1933, com a entrega da última rampa. O viaduto ainda estava sem iluminação, o que gerou problemas de segurança.
A intendência precisaria concluir também a Avenida Borges de Medeiros, da Rua Andrade Neves até o Mercado Público, o que ocorreu apenas em 1935. O viaduto recebeu o nome de Otávio Rocha em 1954, na gestão do prefeito Ildo Meneghetti.
A estrutura tem rampas laterais para pedestres e, na parte inferior, abriga espaços comerciais. O viaduto é tombado como patrimônio histórico e cultural de Porto Alegre.



