Lançada em 1950, a caneta esferográfica Bic é um ícone da sociedade moderna. O nome tem origem na forma abreviada do sobrenome do criador, Marcel Bich. Ele era sócio de Édouard Buffard em uma fábrica de canetas-tinteiro na França.
Bich ofereceu qualidade e simplicidade em um produto que resolveu os problemas das primeiras esferográficas. A Bic Cristal, que unia baixo custo, durabilidade e escrita suave, rapidamente se transformou em um fenômeno de vendas.
A trajetória dos empreendedores começou no fim da Segunda Guerra Mundial. Marcel Bich buscava um negócio para investir. Em 1944, com o amigo Buffard, adquiriu uma fábrica de equipamentos para escrita.
O olhar atento de Bich para as oportunidades o levou a observar as canetas Birome, criadas pelo húngaro László Biró. Embora inovadoras para a época, apresentavam defeitos técnicos, como entupimentos e fluxo irregular de tinta.
Em busca de uma solução, Bich passou quase dois anos realizando testes exaustivos. O momento de inspiração, curiosamente, surgiu em um ambiente doméstico. Ao observar a roda de um carrinho de mão no jardim de sua casa, percebeu que o princípio da escrita esferográfica era, na verdade, a aplicação de uma pequena roda ao papel. Para alcançar a perfeição, utilizou máquinas de precisão suíças, voltadas à relojoaria, para fabricar uma esfera perfeitamente redonda e um sistema de encaixe que impedia vazamentos.
O design também foi pensado para ser funcional. A cor da tampa indicava a cor da tinta. Com 14 centímetros, o corpo hexagonal impedia que a caneta rolasse da mesa. O material transparente permitia ao usuário monitorar o nível de tinta.
A empresa inovou novamente em 1956, com o lançamento da primeira versão com ponta retrátil acionada por botão lateral. Em 1957, a Bic comprou a empresa BiroSwan, encerrando uma disputa judicial. Henry George Martin, detentor das patentes da esferográfica criada por Biró, acusava Bich de falsificação.

O produto francês chegou ao Brasil em 1956. Marcel Bich veio ao país para abrir mercado e criou a Bic Indústria Esferográfica Brasileira. Michel Pingeot, jovem que conheceu durante a viagem de avião, foi nomeado diretor.
Em São Paulo, foi aberta uma fábrica. Em 1961, as primeiras canetas começaram a ser produzidas no Brasil. Pingeot as entregava dirigindo a Kombi da empresa. A operação foi ampliada em 1973, com a inauguração de uma unidade em Manaus.
A caneta de quatro cores foi lançada em 1970. Em seguida, a Bic diversificou os negócios, entrando em mercados como o de isqueiros e aparelhos de barbear. Sem mudanças significativas ao longo das décadas, a caneta marcou a vida escolar e profissional de gerações.



