Um importante episódio para a história do município de Canela, na serra gaúcha, completa cem anos. Em 14 de março de 1926, foi instalado o sexto distrito de Taquara. Pelo ato do intendente João Manoel Corrêa, assinado doze dias antes, a sede deveria ficar no ponto terminal da nova estrada de ferro Taquara–Canela. Com maior autonomia administrativa, a comunidade prosperou rapidamente até a emancipação, em 1944.
A cerimônia de instalação ocorreu no Grande Hotel Canela, estabelecimento de hospedagem e residência da família Corrêa. O coronel João Corrêa Ferreira da Silva (1863–1928) é considerado o fundador da cidade. Grande proprietário de terras, ele planejou a vila e idealizou a ferrovia. A estrada de ferro foi um empreendimento da firma João Corrêa & Filhos. O trem chegou a Canela em 1924, ligando a localidade a Taquara e às cidades cortadas pela ferrovia até Porto Alegre.
— Considero a instalação do distrito mais significativa do que a emancipação. A ata revela o envolvimento de vários segmentos da sociedade e a vontade dos moradores de tornar aquele local importante — destaca o memorialista Marcelo Wasem Veek.
O intendente de Taquara era filho do coronel, o que facilitou o atendimento do pleito da comunidade. Canela fazia parte do quinto distrito, com sede em Gramado.
O ato de cem anos atrás levou serviços públicos para a vila, formada pela estação do trem, poucas casas, a hospedagem da família Corrêa, o Hotel Feltes e comércios de secos e molhados. A extração de madeira era a principal atividade econômica. O turismo de veraneio já ocorria no Caracol desde a década de 1910.

A subintendência foi construída no terreno onde hoje fica o Paço Municipal. O primeiro subintendente foi Henrique Muxfeldt, que também acumulava o cargo de subdelegado.
A vila teve crescimento acelerado após 1926. Novos moradores chegaram e surgiram hotéis, pensões, casas comerciais e serrarias. Em 1928, foi aberto o primeiro cinema. Canela era conhecida em Porto Alegre como a “Suíça do Brasil”.



