Chegar de carro, caminhão ou ônibus às praias do Litoral Norte era uma aventura antes da freeway e da BR-101. Os veranistas de hoje encaram congestionamentos nos dias de maior movimento, mesmo assim o deslocamento é mais rápido e confortável do que no passado.
A freeway foi inaugurada em 1973, ligando Porto Alegre a Osório. A BR-101 já estava asfaltada entre Osório e Torres, mas ainda em pista simples. A duplicação só ficou pronta em 2011.
O leitor Hélvio Ramos Ilha colaborou com o Almanaque Gaúcho ao enviar um mapa do Guia de Turismo Rodoviário do Rio Grande do Sul, editado em 1951. A publicação, levada no porta-luvas dos veículos, orientava quem se aventurava pelas estradas em tempo sem GPS. Na época, o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) promovia melhorias e a ampliação da malha rodoviária do Estado.
O mapa mostra a rota de Porto Alegre a Torres. A viagem entre a capital gaúcha e Osório era feita pela Estrada Velha (ERS-030), com saída pela Avenida Assis Brasil e passagem por Cachoeirinha, Gravataí, Glorinha e Santo Antônio da Patrulha — ponto tradicional de parada para saborear um delicioso sonho. A rodovia ainda não era totalmente asfaltada.
Em Osório, os motoristas podiam escolher entre dois caminhos para Torres. Em uma das rotas, os veículos seguiam até Tramandaí por estrada e continuavam a viagem pela praia.

Outra opção era prosseguir pela nova estrada, a BR-101, ainda em construção. O motorista conseguia chegar até o ramal de acesso a Capão da Canoa (ERS-407). A última parte da viagem era feita pela areia da praia.
A viagem de Porto Alegre a Torres durava de 7 a 8 horas.
Construção da BR-101
As obras da estrada entre Osório e Torres começaram na década de 1940. O engenheiro Alfredo Waldeck publicou artigo com conclusões sobre o traçado da rodovia, que já previa ramais de acesso às praias de Capão da Canoa e Torres. Em 1943, o Daer contratou a firma Dahne, Conceição & Cia para a terraplenagem do primeiro trecho, com cerca de 40 quilômetros. Com o agravamento da Segunda Guerra Mundial, os serviços foram suspensos após a execução de apenas 12 quilômetros.
Em 1947, os trabalhos foram retomados. O Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (Dner) incluiu a via no Plano Rodoviário Nacional, ligando Porto Alegre a Florianópolis e Curitiba. A obra ganhou novo impulso, com ajustes no projeto para atender às exigências técnicas das rodovias federais.
Um boletim publicado pelo Daer, em 1949, destacou o significado da estrada para os gaúchos: “a almejada rodovia por onde se poderá, com toda segurança e comodidade, sem as incertezas e os perigos da passagem pela praia, atingir locais de veraneio situados entre Capão da Canoa e Torres”.
No filme O Aspecto Rodoviário do Rio Grande do Sul, produzido pela Leopoldis-Som para o Daer em 1953, a rodovia do Litoral Norte já aparece liberada ao tráfego de veículos. Ela ainda não era asfaltada. No Rio Três Forquilhas, sem ponte, a travessia exigia o uso de balsa.
Em 1971, o presidente Emílio Garrastazu Médici esteve em Torres para inaugurar a pavimentação do trecho gaúcho da BR-101. A duplicação foi inaugurada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010, mas a última grande obra — a ponte sobre o Rio Três Forquilhas — só foi concluída no início de 2011.




