
O bairro Navegantes, em Porto Alegre, foi um dos grandes polos industriais do Rio Grande do Sul. Ao longo dos séculos 19 e 20, fábricas foram construídas próximas à linha férrea e ao Guaíba. Renner, Rio Guayba, Neugebauer e outras grandes empresas instalaram-se na região de terras planas.
O desenvolvimento ocorreu a partir do Caminho Novo, a Rua Voluntários da Pátria, que saía da cidade em direção ao Norte, paralela ao rio. No livro Porto Alegre: Guia Histórico, o historiador Sérgio da Costa Franco revela que o primeiro arruamento data de 1870. Em requerimento enviado à Câmara Municipal e ao presidente da província, dona Margarida Teixeira de Paiva e outros proprietários de terras ofereceram áreas para a abertura de duas vias, que permitiram a construção das atuais Avenida Sertório e Rua Frederico Mentz.
Dona Margarida também doou o terreno para a construção da capela de Nossa Senhora dos Navegantes. Em 1875, foi lançada a pedra fundamental do templo religioso que daria nome ao futuro bairro. Na década de 1880, a imprensa já se referia ao arraial dos Navegantes. Nossa Senhora Mãe de Deus é a padroeira de Porto Alegre, mas Nossa Senhora dos Navegantes tornou-se a festa religiosa mais popular da cidade.
Descontentes com as limitações da linha de bondes puxados por mulas, moradores pediram providências ao presidente da província, que autorizou uma parada de trem no final da Rua Voluntários da Pátria, na linha entre Porto Alegre e Novo Hamburgo. Em 6 de janeiro de 1886, passageiros passaram a embarcar e desembarcar no Navegantes. Em apenas dez minutos, era possível percorrer o trecho entre o Centro e o arraial.
O transporte ferroviário impulsionou o desenvolvimento da região. O rio chegava até as margens da Rua Voluntários da Pátria, permitindo a aproximação dos barcos. O trem, a navegação e as grandes áreas de terras disponíveis atraíram novos negócios, especialmente fábricas.

Em 1895, a empresa Territorial Porto-Alegrense realizou um grande loteamento entre a Rua Voluntários da Pátria, a Avenida Benjamin Constant, a Rua Dr. João Inácio e a Avenida São Pedro.
A pequena estação férrea de madeira foi substituída por uma nova, de alvenaria, no final dos anos 1920. O prédio ficava entre a igreja e a fábrica de tecidos Rio Guayba. Atualmente, a linha da Trensurb ocupa o leito da antiga ferrovia.
O bairro Navegantes convive historicamente com as enchentes. A situação só melhorou partir dos anos 1970, com a construção do sistema de diques, formado pela Avenida Castelo Branco e pela freeway. Mesmo assim, em maio de 2024, a região foi duramente afetada pela maior enchente da história de Porto Alegre.
Estação Navegantes
A leitora Dóris Mercio enviou ao Almanaque Gaúcho a foto da estação Navegantes no início dos anos 1960. Ela conta que o avô, Amaro Mércio Pereira, foi agente e telegrafista no local. O carro que aparece na imagem, um Ford Prefect, pertencia ao pai dela.
A estação foi demolida.



