Adoro revirar as empoeiradas prateleiras dos sebos. A chance de encontrar relíquias perdidas compensa o risco de um ataque de espirros. Em visita recente a uma loja da Rua dos Andradas, em Porto Alegre, resgatei uma revista que guarda parte da história do Colégio Marista Rosário.
Impressa em 1936 nas oficinas da Livraria do Globo, a revista Echos do Gymnasio Nossa Senhora do Rosário resume as atividades de 1935. A publicação apresenta uma série de fotos das turmas. O colégio, incluindo o internato, aceitava apenas meninos.
A festa de encerramento do ano ocorreu em 18 de dezembro de 1935. A escola entregou premiações obtidas pelos 520 alunos do Curso Primário, 90 do Curso Comercial e 250 do Ginásio. Naquele ano, o Rosário formou 59 bacharéis. O orador foi o estudante Eduy Alves dos Santos.
A estrutura de ensino era diferente. Na época, o Ginasial, curso secundário, tinha cinco anos. Os formandos, chamados de bacharéis, podiam tentar ingresso nas faculdades.
A revista publicava as notas dos alunos e listava todos os que receberam menções honrosas. Também registrava os principais fatos do ano, como falecimentos, eventos, períodos de provas, celebrações e visitas de autoridades.
Para viabilizar a edição, o colégio contava com patrocínios. A loja A Fidalga, na Galeria Chaves, por exemplo, anunciava que era responsável pela venda dos fardamentos. Não faltou comercial do vinho Pindorama, produzido pelos maristas em Garibaldi.
A revista também publicou relatório da Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas, embrião da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
Os irmãos maristas fundaram o Colégio Rosário em 1904. Inicialmente, ocuparam duas salas sobre a sacristia da Igreja Nossa Senhora do Rosário, na Rua Vigário José Inácio. Depois de funcionar também em um prédio na Rua Riachuelo e na Cúria Metropolitana, a escola se mudou em 1927 para a Avenida Independência, onde permanece até hoje.
O Colégio Marista Rosário continua publicando um anuário, uma tradição preservada desde 1927. É uma excelente forma de preservar a história da escola.



