Os afogamentos no mar são noticiados desde o início da popularização das praias do litoral gaúcho. Em função do aumento do número de banhistas, os primeiros salva-vidas surgiram na areia, geralmente pescadores. A Revista do Globo publicou, em 1946, uma reportagem sobre o guardião da praia de Capão da Canoa.
O repórter José Amádio e o fotógrafo Ed Keffel fizeram uma viagem de cinco horas de ônibus entre Porto Alegre e o balneário do Litoral Norte. O protetor dos banhistas ficava no alto de uma pequena casinha de madeira. Artur Alves da Silva, apelidado de Tom Mix, contou suas aventuras no mar. Com bigode aparado e dentadura branquíssima, foi descrito como "belo, forte, simpático — diria perfeito não fosse o abdômen um tanto desenvolvido". Fazia sucesso entre as mulheres. Durante o verão, morava em uma pequena barraca de lona.
No início das manhãs, oferecia aulas de natação no mar. Na entrevista, Tom Mix contou que estreou na profissão nas praias do Rio de Janeiro, onde chegou clandestinamente dentro de um navio que partiu de Rio Grande. Posteriormente, trabalhou como caminhoneiro. Cansado das estradas, voltou às praias. Antes de atuar em Capão da Canoa, foi salva-vidas no Cassino, em Rio Grande.
Um ex-pescador de Torres era o seu ajudante. A reportagem não esclareceu quem pagava a remuneração dos salva-vidas. Naquela temporada, Tom Mix já contabilizava aproximadamente dez resgates no mar, sem nenhum óbito no trecho monitorado. Conversador, se gabava das façanhas. Contou que percorreu a nado o trajeto entre Tramandaí e Cidreira.
No inverno, o herói do mar morava em uma pensão de Porto Alegre e trabalhava como "chofer", motorista.
Sem registros oficiais dos primeiros salva-vidas, Tom Mix está, sem dúvida, entre os pioneiros da atividade no Litoral Norte. Nos anos 1950, guaritas de concreto foram construídas em Atlântida e Torres, indicando a qualificação dos serviços.
No livro 180 anos – 180 olhares, da Brigada Militar, é resgatada parte da história do trabalho de salvamento no mar. O Corpo Marítimo de Salvamento da Marinha desenvolveu um curso de salva-vidas e, em 28 de dezembro de 1970, formou a primeira turma de policiais militares. A Brigada Militar passou a prestar o serviço nas praias.
Por muito tempo chamados de salva-vidas, os profissionais de hoje são denominados guarda-vidas, vinculados ao Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul.






