
Em 170 anos de história, a Sociedade Germânia realizou elegantes bailes, eventos culturais e recepções a convidados ilustres em Porto Alegre. Fundado em 1855, o clube reuniu a comunidade de imigrantes e descendentes de alemães. A entidade, que está encerrando as atividades, foi cenário de muitos momentos marcantes, da recepção ao imperador Dom Pedro II aos dias dramáticos nas duas grandes guerras mundiais.
Na década de 1850, com o fim da Guerra dos Farrapos e a prosperidade da colônia de São Leopoldo, imigrantes alemães passaram a chegar em maior número à capital da província. Comerciantes, industriais e profissionais liberais abriram negócios na cidade. Em função do espírito associativista dos germânicos, não demorou para surgirem clubes culturais e esportivos.
Com o nome Gesellschaft Germânia, a sociedade foi fundada em 23 de junho de 1855 por 28 sócios: Albin Brodt, August Leindecker, August Walmrath, Cristian Adam, Christian Ruperti, Ernest Ruperti, Friedrich Bohrer, Friedrich Louis Nielsen, Johann Georg Haag, Georg Carell, Georg Steuernagel, Gustav Wagner, Heinrich Leindecker, Heinrich Stock, Hermann Traub, Heinrich Schmitt, Jacob Engeldorff, Jacob Rech, Jacob Vollmer, Joaquim Lopo Gonçalves Bastos, Johann Backes, Johann Holtzweissig, Johannes Raupp, Karl Horking, Nikolaus Friedrich, Philipp Becker, Theobald Jaeger e W. Kopp. Georg Carell foi o primeiro presidente.
Considerada a primeira sociedade recreativa do Rio Grande do Sul, o Germânia tornou-se ponto de encontro da comunidade teuto-brasileira para o cultivo de tradições da terra natal. A primeira sede ficava em um sobrado alugado no Centro Histórico.
Na década de 1860, quando somava apenas 50 associados, a sociedade promoveu campanha para ampliar o quadro social e atraiu figuras importantes da comunidade alemã na cidade. Em 1865, durante a Guerra do Paraguai, recepcionou o imperador Dom Pedro II. O salão de baile ganhou, naquela época, palco para teatro e concertos.
Em 1886, a Sociedade Germânia inaugurou a sede própria na Rua Dr. Flores. O belo prédio em estilo neoclássico alemão permitiu a ampliação das atividades. O clube estava com 202 sócios. No livro A Germanidade no Brasil, que resgata a trajetória da entidade, a historiadora e jornalista Nina Tubino conta que "a tradição de comemorar o Réveillon, com ceia e baile, foi introduzida no Rio Grande do Sul pelo Germânia".
Por mais de 30 anos, a sede da Rua Dr. Flores foi palco de grandes festas, comemorações patrióticas e eventos culturais. Durante a Primeira Guerra Mundial, em abril de 1917, o clube foi atacado por brasileiros e sofreu grandes prejuízos, assim como outros estabelecimentos de origem alemã na cidade. O jornal A Federação publicou que, em menos de uma hora, o incêndio criminoso destruiu completamente o prédio.

Em 1921, por indicação do industrial Alberto Bins, o Germânia comprou a Villa Palmeiro, uma mansão em frente à Praça Júlio de Castilhos, na Avenida Independência. O dinheiro do seguro do incêndio permitiu a construção de um belo salão de festas nos fundos da residência. A antiga sede do Centro foi adquirida pelo município para a abertura da Avenida Alberto Bins.
A elegante sede do bairro Moinhos de Vento recebeu visitas ilustres, de políticos a representantes diplomáticos. O local foi cenário, por exemplo, de um grande baile em comemoração à vitória da Revolução de 1930.

Um novo período tenso foi vivido durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1942, a sede foi ocupada pelo Quartel-General da V Zona Aérea, do Ministério da Aeronáutica. O clube foi obrigado a mudar de nome para Sociedade Independência. O prédio só foi devolvido em 1953, após 11 anos de ocupação. Em 1955, ano do centenário, o clube somava 449 sócios, sendo 358 brasileiros e 91 estrangeiros.

O direito de uso do nome Sociedade Germânia só foi recuperado em 1971. Poucos anos depois, em 1978, o clube se despediu da antiga sede. A diretoria permutou o terreno por dois andares do edifício construído no local. As sociedades Suíça e Sogipa abrigaram temporariamente as atividades durante as obras.
A nova sede foi inaugurada em 1982. Mesmo com as transformações da cidade e da sociedade, o Germânia seguiu preservando raízes e valores do tempo dos seus fundadores.

Baile da Noiva da Lagoa dos Barros
O Almanaque Gaúcho já contou a história por trás da lenda da "Noiva da Lagoa dos Barros". A narrativa tem origem em um caso de feminicídio. Maria Luiza Haüssler, de 17 anos, foi assassinada pelo ex-namorado em Porto Alegre, em 18 de agosto de 1940. Heinz Werner João Schmelling, de 19 anos, não aceitava o fim do relacionamento. O crime ocorreu após os dois saírem de um baile na Sociedade Germânia.

Na lenda, uma jovem vestida de branco, "a noiva", aparece para motoristas à beira da lagoa, às margens da freeway, entre Santo Antônio da Patrulha e Osório.





