Em fase de extinção, os orelhões fizeram parte do cenário urbano e da vida dos brasileiros a partir dos anos 1970. Eles eram a principal alternativa de comunicação para a maioria da população em tempos de linhas telefônicas limitadas e caras. O design icônico da cobertura dos telefones públicos foi desenvolvido pela arquiteta Chu Ming Silveira (1941–1997), funcionária da estatal Companhia Telefônica Brasileira (CTB).
Nascida na China, ela chegou ao Brasil com os pais ainda na infância. Formada pela Universidade Mackenzie, passou a trabalhar na CTB. Quando chefiava o Departamento de Projetos, ficou encarregada de desenvolver a proteção dos telefones públicos.
A arquiteta realizou três projetos. O modelo Orelhinha era menor, feito em acrílico, destinado a ambientes fechados. A Concha foi projetada para locais semiabertos, como postos de gasolina. O Orelhão precisava atender às condições mais desfavoráveis, ficando exposto ao sol, à chuva e aos ruídos urbanos. A inspiração foi o formato do ovo, segundo ela, "a melhor forma acústica".
O primeiro orelhinha foi instalado em 1971, nas dependências da CTB em São Paulo. Os orelhões chegaram às ruas do Rio de Janeiro e de São Paulo em janeiro de 1972. Logo ganharam outros apelidos (capacete de astronauta e tulipa), mas prevaleceu o nome orelhão.
O jornal Diário da Noite, de São Paulo, publicou, em fevereiro de 1972, que as novas estruturas, fabricadas em fibra de vidro, eram mais resistentes do que as anteriores, de acrílico e formato cilíndrico.
O projeto do telefone público uniu estética e funcionalidade. Técnicos da CTB divulgavam que o usuário que mantinha a cabeça dentro do orelhão conseguia reduzir em até 75% o ruído externo. Desde o início da implantação, equipamentos sofreram com vandalismo e furtos, problemas frequentemente noticiados pela imprensa.
Em Porto Alegre, o novo modelo de telefone foi apresentado em 10 de março de 1973. A Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) instalou o primeiro orelhão na Praça da Alfândega, no Centro Histórico.

A ligação inaugural foi feita por Firmo Bernardes, funcionário da CRT. Do outro lado da linha estava o seu chefe.
— Presidente, está inaugurado o orelhão da Praça da Alfândega — anunciou o técnico-chefe da seção de instalação e manutenção da região.
Inicialmente, o telefone de rua permitia longas conversas com uma única ficha, o que gerava reclamações de usuários devido à demora nas filas. Os aparelhos, mais tarde, também operaram com cartões.
A popularização dos telefones celulares sepultou os telefones públicos. Testemunhamos o fim da Era dos Orelhões.




