Em outros tempos, as férias no litoral gaúcho representavam isolamento. Os veranistas ficavam completamente sem comunicação ou com contato limitado com familiares e amigos. Quem não viveu essa época mal consegue imaginar. Nada de compartilhar em tempo real a cor do mar, a chegada da chuva ou momentos de confraternização junto ao mar.
Incrivelmente, não faz tanto tempo assim. Em dias de férias na praia de Nova Tramandaí, nos anos 1990, eu telefonava no orelhão para a minha mãe, que estava longe. À noite, filas se formavam nos telefones públicos.
Inaugurado nos anos 1950, o Hotel Atlântida, por exemplo, oferecia uma comodidade rara: um telefone no sistema de micro-ondas. Veranistas ilustres, políticos e empresários já não ficavam totalmente incomunicáveis. Nas décadas seguintes, a expansão da telefonia nas praias foi lenta. Os telefones celulares chegaram às areias do Litoral Norte no verão de 1993, ainda um privilégio para poucos.

Zero Hora publicou, há 50 anos, os preparativos da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos para a temporada. No veraneio de 1976, duas camionetas percorriam as praias de Quintão a Torres. Uma das opções de comunicação era o envio de cartas.
Outra alternativa, para quem tinha urgência, era recorrer ao telégrafo. Naquele verão, os Correios promoveram melhorias e a ampliação da rede telegráfica, com operação 24 horas pelos fios, além do reforço de radiotelegrafia e micro-ondas. O serviço estava disponível em Torres, Tramandaí, Capão da Canoa e Osório.
No passado, emissoras de rádio também transmitiam recados de ouvintes que estavam na praia.
Telefones na década de 1960
Em 1968, o governador Walter Peracchi Barcelos inaugurou o novo sistema de micro-ondas UHF. Ligou para o prefeito de Tramandaí, general Luiz Dentice, para testar o serviço. As antenas de Porto Alegre enviavam o sinal para Osório, que distribuía para as praias de Torres, Arroio do Sal, Capão da Canoa, Atlântida, Tramandaí e Cidreira.
As ligações eram completadas pelas telefonistas da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT). O serviço era acessível a poucos e privilegiados veranistas. Em reportagem da Leopoldis-Som, veja os balneários e o sistema de telefonia no final da década de 1960.

Os orelhões, telefones públicos, só foram instalados pela CRT, em 1973, em Porto Alegre e Caxias do Sul. A ampliação foi em etapas nos anos seguintes. No verão de 1981, 18 balneários já estavam com telefones públicos.



