Um carro que faz parte da história da indústria automotiva brasileira circulou pela primeira vez no Rio Grande do Sul em janeiro de 1976. Um protótipo do Fiat 147 cruzou estradas asfaltadas e de terra. Depois de uma rápida passagem por Porto Alegre, a equipe da montadora italiana seguiu rumo a Passo Fundo, Erechim e Chapecó.
Iniciada em São Paulo, a viagem de testes previa um trajeto de 3,6 mil quilômetros, sendo 545 quilômetros em estradas de terra, muitas com leito precário. Os engenheiros realizavam a aferição de desempenho, consumo, estabilidade, dirigibilidade e comportamento do carro em diferentes condições de tráfego e de pista. Outros dois protótipos percorriam rotas distintas pelo Brasil.
Primeiro carro montado pela Fiat no Brasil, o 147 foi lançado em novembro de 1976, no Salão do Automóvel de São Paulo. Em meio à crise mundial dos combustíveis, os projetistas foram desafiados a desenvolver um veículo compacto, com bom espaço interno, seguro e de baixo consumo. O 147 brasileiro foi derivado do modelo italiano 127. A montadora apresentava a novidade nas propagandas como um "carrão pequeno".
Em 1977, a reportagem de Zero Hora testou por 15 dias o novo Fiat 147, na versão a gasolina. Os repórteres percorreram 2,6 mil quilômetros. O consumo chegou a 17 quilômetros por litro na freeway, rodando a 80 km/h. Em Porto Alegre, variou entre 9,6 e 12,7 quilômetros por litro. Pela análise publicada no jornal, "no asfalto, o 147 é perfeito, rodando macio, sem a mínima trepidação, mas no paralelepípedo irregular ou em estradas de terra batida com costeletas, sua suspensão um pouco dura transmite vibrações ao interior".
A Fiat colocou no mercado, em 1979, o modelo movido a álcool (etanol). Foi o primeiro automóvel produzido em série no mundo a utilizar esse combustível renovável. A versão ficou popularmente conhecida pelo apelido "Cachacinha", devido ao odor característico exalado pelo escapamento.


