O Biotônico Fontoura marcou a infância de gerações de brasileiros. Os pais ofereciam aos filhos uma colher diária do fortificante para abrir o apetite. As crianças ouviam a promessa de ganhar força e beleza. O aclamado tônico, que continua no mercado, foi criado há mais de cem anos no interior de São Paulo.
Após se formar em Farmácia, com a ajuda financeira da mãe e de um irmão, Cândido Fontoura da Silveira abriu a Pharmacia Popular na cidade de Bragança Paulista. Em 1910, buscando a cura para a esposa doente, o farmacêutico trancou-se no pequeno laboratório para preparar um fortificante. Na época, as próprias farmácias produziam grande parte dos medicamentos.
A revista Manchete publicou, em 1975, que a receita do tonificante reunia "ferro, cálcio, ácido fosfórico, um pouco de noz-moscada e vinho do Porto, obedecendo proporções homeopáticas". O resultado obtido no tratamento da mulher logo se espalhou entre os moradores da cidade. Diante da procura, Fontoura lançou oficialmente o tônico.
O farmacêutico trocou Bragança pela cidade de São Paulo em 1915. Levou na mala a receita do preparado e, com sócios, abriu o Instituto Medicamenta, que passou a fabricar o Biotônico Fontoura e outros produtos.
O laboratório sempre investiu em publicidade. Cândido Fontoura também firmou parceria com um amigo, o escritor Monteiro Lobato, que o ajudou na popularização do fortificante. Ele criou o personagem Jeca Tatuzinho, personagem do Almanaque do Biotônico.
As propagandas da década de 1920 indicavam o produto para combater "anemia, neurastenia (fraqueza), debilidade e tuberculose". A fabricante prometia deixar as moças mais belas, as crianças mais robustas, os homens mais viris e os velhos mais jovens.
Hoje, o Biotônico Fontoura pertence ao laboratório Hypera Pharma. O produto já não contém álcool etílico na composição. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu, em 2001, a substância em tônicos e fortificantes destinados a estimular o apetite e o crescimento.






