
O tradicional bairro Azenha, em Porto Alegre, nasceu no entorno de uma estrada estreita e alagadiça. O nome está relacionado a um dos primeiros moradores da região. O açoriano Francisco Antônio da Silveira, conhecido como Chico da Azenha, construiu um rancho e um moinho às margens do riacho (Arroio Dilúvio).
O empreendimento tornou-se referência para os moradores identificarem a estrada e, posteriormente, deu nome ao bairro. Azenha é um moinho movido a água.
No livro Pequena História de Porto Alegre, o historiador Walter Spalding relata que o açoriano montou a azenha onde hoje está localizado o Hospital Ernesto Dornelles. A engrenagem funcionava com a água represada no riacho. A casa da família ficava em ponto mais alto, junto à estrada precária, local onde foi construído, no século 20, o Cine Castello.
Porto Alegre, o Porto dos Casais, pertenceu a Viamão até 1772. O florescente povoado fundado por açorianos era rodeado por plantações de trigo. O escritor Achylles Porto Alegre, no livro Através do Passado, cita que o moinho foi montado por volta de 1760. Outros agricultores levavam o trigo até o local para moagem.
No livro Porto Alegre: Guia Histórico, o historiador Sérgio da Costa Franco revela que atas da Câmara Municipal, em 1777, indicam a construção da primeira ponte da Azenha. A estrada ligava o portão da vila ao moinho. Em razão das frequentes enchentes, a ponte precisou ser consertada e substituída ao longo do tempo.
Em 1835, na ponte, ocorreu o primeiro confronto da Guerra dos Farrapos. Franco considera que a fundação da Azenha como bairro ocorreu em 1844, quando a Câmara Municipal realizou uma vistoria na urbanização. Os vereadores fixaram os alinhamentos dos terrenos. Logo após a ponte, havia uma encruzilhada (atual Praça Princesa Isabel) que abria três rotas: a Estrada do Mato Grosso (Avenida Bento Gonçalves), a Estrada de Belém (Avenida Oscar Pereira) e a continuação da Avenida Azenha.
A implantação do cemitério da Santa Casa, em 1850, exigiu melhorias na estrada. A Azenha também foi caminho, em 1864, da “maxambomba”, o bonde puxado por mulas que transportava passageiros do Centro Histórico ao bairro Menino Deus.
Em 1870, moradores fizeram um abaixo-assinado para solicitar iluminação pública por meio de lampiões, sinalizando o avanço da urbanização. O calçamento da Avenida Azenha ocorreu apenas no início do século 20.

Chico da Azenha era casado com Antônia Maria de Jesus. O morador, que deu nome à avenida e ao bairro, morreu em 25 de novembro de 1820, em Porto Alegre. De acordo com registro em livro da Igreja Católica, tinha 105 anos. A causa da morte foi disenteria.




