Lidar com o lixo é um desafio de Porto Alegre desde os primórdios da cidade. Por muito tempo, os resíduos foram enterrados nos pátios das casas ou jogados no Guaíba.
Em 1834, a Câmara Municipal tentou contratar um empreiteiro para a limpeza urbana, mas não apareceram interessados. A solução foi convocar presidiários para a tarefa.
No livro Porto Alegre: Guia Histórico, Sérgio da Costa Franco conta que vereadores solicitaram ao presidente da província, em 1835, 12 presos, acompanhados por guardas. Assim, os primeiros garis de Porto Alegre foram homens que cumpriam pena na cadeia. Carrinhos de mão eram usados.
O crescimento da cidade aumentou o volume de lixo, exigindo novas soluções. Por décadas, empreiteiros contratados fizeram o recolhimento em carroças, levando os resíduos até os locais de descarte.
Em 1898, o intendente José Montaury municipalizou o serviço. Ele adquiriu um prédio para a sede, na Avenida Azenha, e comprou cocheiras para os burros e mulas que puxavam as carroças.
Os primeiros caminhões para a coleta de lixo só foram adquiridos em 1925. Dois anos depois, 16 veículos já realizavam o serviço, a maioria da marca Graham Brothers.
A substituição representou mais agilidade e economia aos cofres públicos. Um caminhão Graham Brothers transportava o mesmo volume de resíduos de nove carroças, em menos tempo e por um terço do custo anual. Em 1933, já eram 33 caminhões em operação. Mesmo assim, 92 carroças ainda circulavam pelas ruas naquele ano.
Os veículos automotores também passaram a ser usados no recolhimento de cães soltos nos bairros. Em 1926, mais de cinco mil animais foram recolhidos.
Apesar da compra dos caminhões, até a década de 1950 a prefeitura de Porto Alegre ainda utilizou carroças de tração animal na coleta de lixo.

Em 15 de dezembro de 1975, o Departamento de Limpeza Pública foi substituído pelo Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), que completou 50 anos de atividades. O trabalho que no passado era feito por carroças puxadas por burros é executado hoje, em parte da cidade, por caminhões com coleta automatizada em contêineres. Além da coleta domiciliar e seletiva e da destinação dos resíduos, o DMLU é responsável pela varrição e capina das vias públicas, pelo recolhimento do resíduo público e pela zeladoria dos sanitários públicos.





