O surpreendente Mirassol, classificado para a Libertadores de 2026, carrega na camisa uma marca que faz parte da história do futebol. Fornecedora do material esportivo do clube paulista, a Athleta já vestiu a seleção brasileira e patrocinou o Rei Pelé. A indústria produziu camisas, calções e meias de grandes clubes, incluindo Santos, Corinthians, São Paulo e Palmeiras.
A marca esportiva foi criada em 1935 por Antônio Pádua de Oliveira, proprietário da Malharia Santa Isabel. O empresário português fabricava roupas para outras empresas desde 1926, no bairro Belenzinho, em São Paulo. O primeiro grande clube a usar uniformes da indústria foi o Corinthians. Oliveira era sócio da Portuguesa, que também adotaria material esportivo da marca.
A empresa paulista produziu os uniformes da seleção brasileira a partir de 1954, vestindo as equipes campeãs mundiais de 1958, 1962 e 1970. A Athleta fabricava também trajes de passeio, treino e concentração. Só não fornecia as chuteiras dos jogadores. A marca não aparecia estampada na camisa como ocorre hoje.
Após o falecimento do fundador, o negócio ficou com os genros, Giuseppe Carlo Bulgarelli e Plínio Figueiredo Cunha. Eles tiveram papel importante na modernização dos uniformes no Brasil.
Em entrevista ao Jornal dos Sports, em 1970, Bulgarelli relatou que as “enormes golas incomodavam os atletas”, o que motivou o desenvolvimento da “gola olímpica”. A indústria também ajustou as mangas para facilitar os arremessos laterais. Desenvolveram malha de algodão mais leve para absorver melhor o suor. Máquinas inglesas permitiram a fabricação de meias mais confortáveis, substituindo os antigos modelos de lã.
A seleção brasileira vestiu Athleta até 1974. A marca também forneceu materiais para a seleção uruguaia e para clubes argentinos. Em 1972, a Malharia Santa Isabel estava entre as nove empresas patrocinadoras do astro Pelé.
Quando o Rei do Futebol partiu para os Estados Unidos, a marca o acompanhou. Em 1977, a empresa publicou propaganda anunciando que o Cosmos “preferiu as camisas, calções, meias e agasalhos Athleta”.

Depois de perder força nos anos 1980, a marca apostou no mercado japonês em 1991. Retomou a operação comercial no Brasil em 2016, onde fornece materiais para diferentes esportes. A Athleta, pelo jeito, é pé-quente com a amarelinha, cor da camisa do Mirassol, sensação do Brasileirão de 2025.



