
Emancipado de Dois Irmãos em 1992, o município de Morro Reuter tem sua história profundamente ligada à construção da BR-116. Na década de 1930, a localidade do Vale do Sinos era formada por poucas ruas, extensos potreiros e plantações de verduras e frutas. O cenário começou a mudar, a partir de 1937, com a abertura da rodovia federal, a então BR-2, a Estrada Getúlio Vargas.
Campos de criação de gado foram cortados pela nova ligação entre Porto Alegre e o sudeste do Brasil. As obras foram problemáticas devido à complexidade do terreno. Rochas de basalto precisaram ser destruídas. O Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) contratou moradores, como Aneldo Bauer, para a árdua tarefa de quebrar e remover os blocos de pedra, utilizando carroças puxadas por bois.
A estrada federal transformou Morro Reuter em um ponto de passagem essencial no transporte de cargas e nas viagens pelo Rio Grande do Sul. O movimento resultou na instalação de uma estação rodoviária à margem da via, um complexo com amplo restaurante, inicialmente administrado pelos Sperb e, depois, pela família Ott. Logo, outros estabelecimentos surgiram ao longo da estrada.
O asfalto só foi colocado naquele trecho da BR-116 a partir de 1956. Antes da rodovia federal, a ligação entre Novo Hamburgo e Morro Reuter se dava pela estrada de Dois Irmãos, aberta no início da colonização alemã na região.
A história do município é contada no livro Morro Reuter de A a Z, que ganha um novo volume. O primeiro, escrito pelo jornalista Carlos Urbim, foi publicado em 2003 pela prefeitura. A nova edição foi produzida pelo historiador Sandro Blume, com organização e coautoria do jornalista Miguel Eich. Em forma de verbetes, reúne fatos históricos, tradições, curiosidades, paisagens e personagens que ajudam a explicar a trajetória local.
O lançamento será em 5 de dezembro, às 14h30, na Aldeia da Herta (VRS-873, 5670), em Morro Reuter. Conteúdos também estão disponíveis nos perfis @morroreuterdaz no Facebook e no Instagram.
No censo de 2022, Morro Reuter tinha 6 mil habitantes.
Origem do nome
O nome Morro Reuter está ligado à família Reuter, imigrantes da localidade de Weisskirchen, na Prússia Renana. O lavrador Godofredo Reuter chegou ao Brasil em 1862, viúvo, com 58 anos, acompanhado de três filhos. A mudança foi possivelmente motivada pela presença de sua filha, Catharina Reuter, já casada com o professor Johann Wagner, que dá nome à maior escola do município.
Johann e Philipp Gustav Reuter, filho e neto de Godofredo, abriram uma estalagem e casa comercial em um ponto estratégico, à margem da antiga estrada que ligava a região a São Leopoldo. Era rota de passagem de tropeiros que conduziam gado dos Campos de Cima da Serra. Por causa desse empreendimento, o sobrenome da família acabou nomeando a localidade.
Assista aos episódios da temporada do programa Aconteceu no RS sobre a imigração alemã:
- Por que o Brasil buscou alemães em 1824
- São Leopoldo: como foi a criação da primeira colônia alemã no RS
- Capitão ganancioso, separação de famílias e navio à deriva: dramática viagem de alemães ao Brasil
- Curiosidades sobre doenças, tratamentos e velórios nas colônias alemãs
- Quais os alimentos tradicionais da culinária alemã no RS
- Clubes, arquitetura, indústrias e comércio: a contribuição de alemães em Porto Alegre
- Mitos e verdades sobre Jacobina e os "Mucker"
- Como criar uma árvore genealógica e recuperar a história familiar
- Curiosidades do maior acervo da imigração alemã no RS
- Conheça obras de artistas e arquitetos alemães no RS
- Como católicos e protestantes foram divididos nas colônias alemãs do Litoral Norte
- Hunsrik: idioma de imigrantes alemães no RS






