
Quando morreu, em 1985, Carlos Nobre era o humorista mais popular do Rio Grande do Sul. Seus fãs dizem que ninguém superou seu talento até hoje. Jornalista e humorista, José Evaristo Villalobos Júnior nasceu em 1929, em Guaíba, e arrancou gargalhadas no rádio, na TV e nas páginas dos jornais.
Carlos Nobre começou no rádio cantando serestas. Adotou o nome artístico para esconder a carreira da mãe, Yolanda, que não queria ver o filho atrás dos microfones. Curiosamente, sem saber que era José Evaristo, ela adorava ouvir o cantor Carlos Nobre.
Em 1953, a Revista do Rádio publicou que, além de cantor, ele atuava como galã e humorista na Rádio Gaúcha. Apresentava o programa Ronda Musical, dedicado a compositores célebres, e o esportivo Jogo Bruto.
A carreira deslanchou no programa Campeonato em Três Tempos, que misturava humor e futebol. Em um quadro que representava os clubes da elite do futebol gaúcho, ele era o personagem Greminho, que duelava com o colorado J. Bronquinha, vivido por Fábio Silveira.
O humorista chegou a escrever e interpretar nove programas de rádio por semana. Nas páginas dos jornais, a estreia ocorreu com uma coluna em A Hora.
Em 1968, fez as malas rumo à TV Excelsior. Ficou poucos meses no Rio de Janeiro, porque não suportou a saudade dos amigos e das churrascarias.
De volta a Porto Alegre, trabalhou na Folha da Tarde e na Rádio Guaíba. Em 1975, foi recontratado pelo Grupo RBS, quando passou a escrever em Zero Hora e a participar de programas da Rádio Gaúcha e da TV Gaúcha (RBS TV).
— O pai nunca gostou de televisão. Era apaixonado por rádio — relembra o filho, o jornalista José Evaristo Villalobos Neto, o Nobrinho.
Em Zero Hora, sua coluna era a mais lida. Publicada na penúltima página, fez muita gente criar o hábito de ler o jornal de trás para frente.
O jornalista morreu em 16 de dezembro de 1985, em casa, em decorrência de uma parada cardíaca. Sempre bem-humorado, após um infarto sofrido anos antes, escreveu o próprio epitáfio: “Eis aqui uma gargalhada cercada de choro por todos os lados”. Carlos Nobre era assim, não perdia a chance de fazer uma piada.


