Na década de 1930, poucos moradores permaneciam em Capão da Canoa durante o inverno. As famílias do faroleiro, dos zeladores dos hotéis e de pescadores aguardavam o verão para ver o balneário voltar a ficar agitado com a chegada dos veranistas. O pequeno lugarejo, situado entre Tramandaí e Torres, começava a se popularizar como destino para férias.
Os primeiros hotéis foram construídos em madeira na beira da praia nos anos 1920, ao lado de ranchos cobertos de palha. No livro Origens de Capão da Canoa (1920–1950), da EST Editora, Mariza Simon dos Santos conta que o Hotel Bonfílio funcionava em uma casa de 30 metros de comprimento por 8 metros de largura. Os hóspedes dormiam em camas de ferro e colchões de palha de milho. No quarto, não podia faltar o penico. Sem água encanada, o “quarto de banho” dispunha de um único chuveiro de latão.
Em 1922, foi inaugurada outra hospedagem, o Hotel Pedro Nunes. Naquele período, Cidreira, Tramandaí e Torres eram os principais balneários do Litoral Norte.
Capão da Canoa prosperou entre o final dos anos 1920 e o início da década de 1930, quando novos hotéis foram abertos. Em 1932, Jacob Prudêncio Herrmann fotografou o núcleo central da praia, onde fica hoje a Rua Pindorama. Na imagem, aparecem os hotéis Atlântico, Riograndense e Bela Vista.
Em 1933, o jornal A Federação elogiou a beleza do balneário, formado pelos hotéis e por um "gramado" junto ao mar. Capão da Canoa se desenvolveu mais a partir dos anos 1940, com o loteamento da área e a construção de edifícios e casas.
Outros hotéis importantes dos primórdios da praia foram: Hotel Bassani, City Hotel, Beira Mar Hotel, Hotel Monteiro, Hotel Oceania e Hotel São Luiz.
Em novembro de 2025, fotografei o mesmo local da imagem feita por Herrmann em 1932. O leitor pode comparar os cenários mais de 90 anos depois.
Emancipado em 1982, Capão da Canoa é o município com maior população do Litoral Norte.


