Entre as décadas de 1950 e 1990, uma fábrica encantou a criançada no bairro Menino Deus, em Porto Alegre. O português Heitor Pires fundou a Refrigerantes Sul-Riograndenses S.A., construída na esquina da Avenida Praia de Belas com a Rua Marcílio Dias. Em 1953, começou a produzir Pepsi-Cola em garrafinhas.
Com presença em projetos sociais, culturais e esportivos, a marca criou forte vínculo com o consumidor. Muitos gaúchos acreditavam que a Pepsi era uma empresa local. No cinema, ficavam surpresos ao ver a marca em filmes dos Estados Unidos. O slogan "o refrigerante da família rio-grandense" reforçava essa estratégia de marketing.
Os filhos dos antigos funcionários lembram das festas de Natal. Em 1955, a imprensa destacou a celebração para empregados e familiares, com brinquedos para as crianças e gratificação para os funcionários. Depois da festa em Porto Alegre, Heitor Pires viajou para Pelotas, onde havia inaugurado naquele ano a segunda fábrica do refrigerante no Estado.
Desde o início da operação no Rio Grande do Sul, a Pepsi investiu em promoções e propaganda, como sorteios e tampinhas premiadas. Em 1957, a produção diária chegava a 400 mil garrafas. Nas oficinas da indústria, foram desenvolvidas máquinas. Em 1960, o maquinário permitia lavar 40 mil garrafas por hora. A fábrica produzia também outros refrigerantes da Pepsi.
A indústria do Menino Deus virou ponto de visitação de escolas e era alvo constante da curiosidade da criançada da vizinhança. Por uma parede envidraçada, conseguiam acompanhar a linha de produção diretamente da rua. O engarrafamento da Pepsi encantavam a gurizada.
Sem possibilidade de expansão em Porto Alegre, a fábrica foi transferida para Sapucaia do Sul em 1994. O terreno abriga hoje prédio comercial e estacionamento do Praia de Belas Shopping.




