Em meio a uma grande polêmica, a Uber começou a operar há 10 anos em Porto Alegre. Em uma tarde de quinta-feira, 19 de novembro de 2015, passageiros puderam, pela primeira vez, pedir pelo aplicativo no celular uma “carona paga”.
Como ocorreu em outras cidades do mundo, a chegada da empresa foi marcada pela revolta dos taxistas. A prefeitura de Porto Alegre anunciou fiscalização, porque o transporte era considerado clandestino. Motoristas estavam sujeitos a multa de R$ 5,8 mil e à apreensão do veículo.
Na chegada à cidade, a Uber promoveu a "Rider Zero", a corrida inaugural. Em uma ação de marketing, a empresa convidou os comunicadores do programa Pretinho Básico, da Atlântida, para a primeira viagem. Eles conheceram o serviço dois dias antes da estreia para o público em geral.
Três motoristas, vestidos de terno, aguardaram os ilustres passageiros em frente ao prédio da rádio, no Morro Santa Tereza. No início da noite, levaram os “pretinhos” ao bairro Moinhos de Vento.
— Fomos a um bar. O argumento da ação era sair para beber com os amigos e não dirigir na hora de voltar para casa — relembra o comunicador Alexandre Fetter.

Em texto publicado em Zero Hora, Marcos Piangers contou que aqueles eram os três primeiros motoristas selecionados pela Uber na cidade. O comunicador viajou com Anderson, um motorista que pretendia dobrar a renda dividindo-se entre o aplicativo e o táxi onde já trabalhava. Por segurança, o sobrenome do condutor não era divulgado.
Depois da ação da turma do Pretinho Básico, um grupo de taxistas foi protestar em frente ao prédio da rádio.
— Nós descemos e ouvimos os caras. Acabou tudo em paz, até tiramos uma selfie com parte deles — recorda o comunicador Luciano Potter.
No início, a Uber aceitava apenas pagamento com cartão de crédito. Operando exclusivamente na categoria UberX, de carros comuns, a empresa prometia tarifa até 25% mais barata do que as corridas de táxi. Na época, operavam em Porto Alegre os aplicativos Easy Taxi e 99Taxis.
O trabalho que era considerado clandestino, exercido com medo há 10 anos, tornou-se profissão de milhares de pessoas na cidade. Depois da Uber, outras empresas ofereceram serviço de transporte.






