Os dois casarões incendiados na Praça XV eram lembranças da Porto Alegre do século 19. Após o comprometimento da estrutura, o que o fogo não consumiu foi demolido, inclusive as fachadas. De acordo com a Prefeitura de Porto Alegre, os imóveis não eram inventariados nem tombados pelo patrimônio histórico.
No topo da fachada de um dos casarões, o mais baixo, constava o ano de 1884. O corpo do imóvel poderia ser ainda mais antigo, já que era comum a realização de reformas e ampliações ao longo do tempo.
O arquiteto Lucas Volpatto, especialista em patrimônio histórico-cultural, destaca que o casarão maior, com sótão, apresentava arquitetura de influência germânica.
— Considero um retrocesso a demolição das fachadas. Os prédios são testemunhas urbanas de uma história — lamenta Volpatto.
O Almanaque Gaúcho resgata imagens da Praça XV mostrando as transformações nas construções da quadra entre a Rua Voluntários da Pátria e a Avenida Otávio Rocha. O primeiro grande edifício erguido no local foi o Novo Hotel Jung, construído no início dos anos 1930. O Edifício Frederico Mentz fica na esquina com a Avenida Otávio Rocha.
Outros prédios foram levantados a partir da década de 1950, substituindo os velhos sobrados. Os dois últimos casarões acabaram espremidos entre os arranha-céus.
Em mais de um século, como é possível observar nas fotos, diferentes empresas ocuparam os dois prédios no Centro Histórico.
O pesquisador Ronaldo Bastos, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul (IHGRGS), conta que os casarões foram construídos na mesma época, na década de 1880. Eles pertenciam ao comerciante Joaquim de Araújo. No sobrado de 1884, ficava o comércio da família. Por muito tempo, funcionava no térreo a loja do filho, Eleutherio Araújo. Em 1925, na parte superior da casa, foi instalado o Laboratório Geyer, fundado pelo médico Carlos Geyer. Em 1953, a Drogaria Ramos ocupou o térreo.
O prédio ao lado, com sótão, foi adquirido pelo comerciante Carlos Júlio Becker, que abriu loja de couros, arreios, calçados e outros produtos. No local, trabalhava o paulista Cândido Dias da Silva, um dos fundadores do Grêmio e dono da bola usada nos primeiros treinos.
Em entrevista à Rádio Gaúcha, o secretário de Obras e Infraestrutura de Porto Alegre, André Flores, disse que engenheiros concluíram que não era possível consertar as fachadas após o incêndio, por isso a demolição foi autorizada.






