
A rio-grandina Lyuba Duprat dedicou a vida à educação e aos seus alunos. Por quase 80 anos, foi professora de língua francesa e de história da arte. A longevidade da carreira foi reconhecida pelo Guinness Book na década de 1990.
Filha de Maria Isabel Campello Duprat e do médico Augusto Duprat, Lyuba nasceu em Rio Grande, em 27 de junho de 1900. Corajosa, aos 12 anos viajou sozinha em um navio cargueiro para estudar na França. Em 1916, ao retornar à cidade portuária do Sul gaúcho, começou a lecionar.
Entre as décadas de 1920 e 1940, morou no Rio de Janeiro, onde ministrava aulas particulares de francês e preparou muitos alunos para a carreira diplomática do Itamaraty. Aos sábados, oferecia cursos de história da arte para grupos.
A professora nunca se casou nem teve filhos. O grande amor de sua vida ficou em Paris. O casamento não teria se concretizado pela falta de dote da jovem. Após duas décadas na capital brasileira, Lyuba retornou a Rio Grande, onde viveu até o fim da vida.
Em casa, recebia alunos de dia e de noite. Lecionou até uma semana antes de morrer, em 17 de outubro de 1994.
— Ela trabalhava muito e cobrava os alunos, exigia pontualidade. Ninguém podia sair da linha — recorda, com saudade, a ex-aluna Núbia Hanciau, professora da Universidade Federal do Rio Grande (FURG).

Lyuba deixou um valioso acervo cultural. Parte do material está na Salle de Documentation Lyuba Duprat, projeto da FURG inaugurado em 1995. Localizado no Instituto de Letras e Artes, o espaço preserva objetos pessoais, livros e documentos da professora.
A “Mademoiselle Duprat” recebeu, na França, a condecoração Palmes Académiques. Em 1992, foi agraciada com o título de professora honoris causa pela FURG. Ela entrou para o Guinness Book, na edição de 1994, como "a brasileira que exerce o magistério há mais tempo". Lyuba lecionou entre 1916 e 1994.






