A indústria Vier foi uma das principais do setor de erva-mate no Brasil. Em 1944, o professor Jacob Vier, filho de agricultores, fundou a empresa em Santa Rosa, no noroeste do Rio Grande do Sul. Na comunidade de Esquina Guia Lopes, a ervateira inovou, conquistou consumidores e cresceu. Depois de 80 anos, a pedido da empresa, a Justiça decretou a falência. A erva-mate da marca Vier permanece no mercado, arrendada pela Ervateira Rei Verde, de Erechim.
Inicialmente, a ervateira de Jacob Vier comercializava a produção em bolsas de estopa, sem marca e sem embalagem. A indústria era pequena e movida à água. Depois de um tempo, lançou a primeira marca: Ninfa.
Em 1970, o fundador e três filhos - Odilo, Milton e Pedro Elíbio - receberam um novo sócio na empresa. Oscar Büttenbender era casado com Erminda Cecília, filha de Jacob. Nos anos seguintes, a ervateira se modernizou e lançou produtos com as marcas Líder, Super Líder e, por último, Vier. Com a saída do sogro e dos cunhados da sociedade, em um processo gradual, Büttenbender e seus filhos ficaram sozinhos no controle da indústria a partir de 1983.
As décadas de 1980 e 1990 foram de crescimento dos negócios. A marca deixou de ser apenas regional e passou a conquistar outros mercados. Pela concentração de consumidores, a família apostou na Região Metropolitana de Porto Alegre. Investiu em propaganda e no patrocínio de grandes eventos. Os dez filhos de Oscar e Erminda trabalharam na empresa, exercendo diferentes funções.
Primogênita, Maria de Lourdes Büttenbender foi sócia e, por 37 anos, trabalhou na Vier. Ela lembra de inovações como a adição de chás à erva, uma novidade desenvolvida a partir da observação dos consumidores que já colocavam chás no chimarrão.
Além da fábrica em Santa Rosa, a Vier abriu duas filiais em Santa Catarina e uma no Paraná para o processamento de erva-mate. A matéria-prima era comprada de produtores nos três estados do Sul.
Líder empresarial e comunitário, Oscar Büttenbender morreu em 2020. A derrocada da tradicional indústria foi causada por uma série de fatores. No pedido de falência, a Vier Indústria e Comércio de Mate apontou questões como a falta e o encarecimento da matéria-prima, os problemas de saúde de Oscar Büttenbender, a tomada de financiamentos, pendências com o Fisco e um incêndio na sede.
Desde o final de 2024, após o encerramento da produção na fábrica de Santa Rosa, a marca Vier foi arrendada pela Ervateira Rei Verde, com sede em Erechim.
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