Importante na história da capital gaúcha, a Praça Brigadeiro Sampaio já teve vários nomes e configurações. Por causa de uma escultura, instalada há 15 anos, já é reconhecida por muitos moradores como a Praça do Tambor. A obra foi a primeira do Museu de Percurso do Negro em Porto Alegre.
O logradouro fica no Centro Histórico, entre a Rua dos Andradas, a Rua General Portinho e a Avenida Presidente João Goulart, perto da Usina do Gasômetro. Nos primórdios da cidade, o primeiro cemitério ficava na região.
O terreno fazia parte da antiga Praia do Arsenal. No período com pena de morte no Brasil, entre as décadas de 1820 e 1850, os enforcamentos eram realizados naquela área, que passou a ser chamada de Largo da Forca.
— Os enforcados eram negros. Em tempo de leis escravagistas, obviamente muitas injustiças foram cometidas — ressalta o antropólogo Iosvaldyr Carvalho Bittencourt Junior.
No entorno, viviam famílias de classes populares. Em 1856, a Câmara Municipal adotou o nome Praça do Arsenal. Por ordem do presidente da província, Ângelo Muniz da Silva Ferraz, os estaleiros foram retirados e, em 1858, começaram as obras de urbanização da área na beira do rio. O nome foi trocado para Praça da Harmonia.
Em um chafariz, era bombeada água diretamente do Guaíba. Em 1865, foram plantadas árvores e feitas outras melhorias. A cidade ganhou uma agradável área de lazer. Os vereadores autorizaram até a instalação de um ringue de patinação.
A população continuou chamando de Praça da Harmonia, mas oficialmente o local recebeu outros nomes: Praça Martins de Lima (1878) e Praça 3 de Outubro (1930). Na década de 1920, a área de lazer foi destruída e virou canteiro de obras do novo porto.
Na década de 1960, após a retirada de estruturas do governo do Estado e das Forças Armadas, a praça passou por uma reconfiguração. Os vereadores decidiram homenagear no nome o Brigadeiro Antônio Sampaio, patrono da infantaria do Exército Brasileiro. O militar morreu em decorrência de ferimentos sofridos na Batalha de Tuiuti, em 1866, na Guerra do Paraguai.
Em 2010, a praça recebeu a escultura de um tambor amarelo, cor em referência a Oxum, com figuras que narram a trajetória da população negra na cidade. A obra foi concebida por um grupo de artistas e memorialistas (griôs), orientada por pesquisa de Iosvaldyr Carvalho Bittencourt Junior.






