O comunicador Maurício Sirotsky Sobrinho estreou, em 1956, um programa com o seu jeito, a sua alma e o seu nome. O público assistia e vibrava junto no Cinema Castelo, no bairro Azenha, em Porto Alegre. Transmitido pela Rádio Farroupilha, o Programa Maurício Sobrinho impulsionou a carreira do jornalista e abriu as portas para, pouco tempo depois, fundar o Grupo RBS.
O papel do programa na trajetória do comunicador e empresário é destacado no livro Maurício Sirotsky Sobrinho: o som de uma vida (Editora AGE), escrito pelo jornalista Tulio Milman. Em 9 de junho de 1956, em meio à grande expectativa na cidade, o radialista comandou pela primeira vez o Programa Maurício Sobrinho. Aos 31 anos, recém-completados, ele estava em sua segunda passagem por Porto Alegre.

O programa de auditório mesclava artistas famosos, novos talentos, humor, brincadeiras e prêmios. Maurício apresentava, criava, produzia, liderava e vendia. Com a companhia aérea Cruzeiro do Sul, por exemplo, fechou parceria para o transporte das estrelas que vinham de São Paulo e Rio de Janeiro. O programa de estreia teve apresentações de Sivuca e Léo Romano.
Sem canais de televisão no Estado, o rádio ainda era o centro da casa. Ao seu redor, as famílias se informavam e se divertiam. O show comandado por Maurício ocorria nas tardes de sábado, quando o comércio já estava fechado e os trabalhadores curtiam um momento de descanso.
Os filhos do comunicador ficavam na primeira fila de poltronas do cinema. Em depoimento para o livro, Nelson Sirotsky descreveu em detalhes a entrada do pai para a abertura do espetáculo: "Entrava o maestro, os músicos se sentavam, ele dava duas batidas e começava o coro a cantar. Quando a música estava terminando, o pai atravessava o palco e entrava de braços abertos, de gravata, de terno. Era um Sílvio Santos. As mulheres enlouqueciam. Ele era galã, carismático, extremamente popular. O auditório se levantava."
Com o sucesso do programa, Maurício Sobrinho virou uma marca. Em 1977, em entrevista a José Antônio Daudt, na Rádio Difusora, reconheceu a relevância daquele momento: "Foi a coisa mais importante que aconteceu em toda a minha vida. Foi um ponto de partida. Foi um trampolim. Foi a base. Foi a experiência. Foi o início de todas as realizações que conseguimos promover ao longo de todos esses anos em nossa atividade."
O Programa Maurício Sobrinho ficou um ano no ar na Farroupilha. Poucos dias após comemorar o primeiro aniversário da atração, o radialista deixou a emissora. Em um domingo de manhã, tocou a campainha da casa da família Sirotsky. Eram Arnaldo Ballvé, ex-chefe e mentor de Maurício, e seu filho Frederico. Convidaram o comunicador para ser sócio na compra da Rádio Gaúcha, que estava em crise financeira.
No auge da carreira, Maurício aceitou o novo desafio. Em 31 de agosto de 1957, teve a carteira de trabalho assinada como diretor da Rádio Gaúcha. Além de sócio e diretor, levou junto o Programa Maurício Sobrinho. Era o início do Grupo RBS.

O novo livro conta a história de Maurício Sirotsky Sobrinho (1925-1986) desde a vinda dos seus pais para o Brasil. O lançamento da biografia será no dia 1º de novembro, às 19h, na Praça de Autógrafos Maurício Sirotsky Sobrinho, na Feira do Livro de Porto Alegre. Um pouco antes, às 17h30, ocorrerá um bate-papo do autor com os filhos de Maurício, no Clube do Comércio (Rua dos Andradas, 1085, 2º andar).


