Antônio Prado preserva rico patrimônio da colonização italiana na serra gaúcha. O legado dos imigrantes está visível nas ruas, que oferecem um cenário do final do século 19 e início do século 20. Reconhecido pela ONU Turismo como uma das melhores vilas turísticas do mundo, o município tem 48 prédios tombados pelo Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Fundada em 1886, Antônio Prado foi a última das colônias imperiais. Ficou na margem direita do Rio das Antas. A ocupação oficial começou em 1888. Por sugestão do engenheiro-chefe da comissão de medição de lotes, Manoel Barata Góis, o nome da localidade homenageou o advogado, político e fazendeiro Antônio da Silva Prado, ministro da Agricultura que promoveu a vinda de italianos para o Brasil.
Antes da chegada dos colonos, a densa floresta era habitada por povos indígenas. Em 1880, Simão David de Oliveira se estabeleceu na região. Vindo de São Paulo, ele construiu um rancho às margens do Rio das Antas. No local, o Passo do Simão, foi aberta a primeira picada para acessar a nova colônia italiana.
Os pioneiros colonos foram recebidos em um barracão coletivo, onde o padre Alessandro Pellegrini celebrou a primeira missa. Como em outras colônias da Serra, o trabalho foi duro para derrubar a mata, plantar as roças, construir casas e abrir estradas.
A nova colônia estava em posição estratégica, na rota do Rio Grande do Sul para São Paulo, favorecendo o comércio. O desenvolvimento rápido permitiu a emancipação em 11 de fevereiro de 1899, quando Antônio Prado deixou de pertencer a Vacaria.
Construídas entre 1890 e 1930, as coloridas casas tombadas pelo Iphan encantam os visitantes. A Casa da Neni, erguida por Antônio Bocchese e Maria Marian em 1910, abriga o museu municipal e o centro de atendimento dos turistas. No térreo, o ourives Bocchese trabalhava com ouro, prata e outros metais. A família morava no segundo piso. Filha do casal, Joana Magdalena, conhecida como Neni, ficou com o imóvel e abriu comércio.
As ruas e fachadas do Centro Histórico serviram de cenário para o filme O Quatrilho, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1996. Em Antônio Prado, que se apresenta como "A cidade mais italiana do Brasil", os descendentes preservam gastronomia, costumes, religiosidade, idioma e arquitetura dos colonos que vieram da Itália no final do século 19.
Assista aos episódios da temporada do programa Aconteceu no RS sobre a imigração italiana:
- Por que imigrantes italianos vieram ao RS em 1875
- Nova Milano: a história dos pioneiros do berço da imigração italiana no RS
- Quarta Colônia: como foi a colonização italiana na região central do RS
- Italianos em Porto Alegre: festa da uva, Cidade Baixa e outras histórias da imigração
- Entenda a tradição da uva e do vinho na colonização italiana no RS
- Cozinha separada, banheiro longe e porão: como eram as casas dos colonos italianos
- Escolas nas colônias italianas no RS: saiba o que as famílias exigiam dos professores
- A viúva, a solteira e as cartas: as histórias de mulheres na imigração italiana no RS
- Polenta, galeto e massa: a história da gastronomia na imigração italiana no RS
- Caxias do Sul: a história da maior cidade da colonização italiana no RS
- Talian: conheça a língua da colonização italiana no RS
- Da serra gaúcha à Amazônia: a expansão da colonização italiana no Brasil

