
O Leite Moça virou sinônimo de leite condensado no Brasil. Com nome em inglês, o produto chegou ao Brasil no final do século 19. Em função da moça estampada na embalagem, de forma natural, o consumidor consagrou novo nome.
Os irmãos norte-americanos Charles e George Page fundaram na Suíça, em 1866, a Anglo-Swiss Condensed Milk Company. Com a marca Milkmaid, começaram a fabricar leite condensado.
Em propagandas nos jornais, na década de 1890, o produto suíço já era oferecido no Brasil. Na embalagem, estava a imagem de uma moça, uma camponesa vendedora de leite.
O produto era oferecido como substituto do leite fresco, em um tempo de difícil conservação dos alimentos. Pela descrição das propagandas, uma lata de leite condensado misturado com água renderia até quatro litros de leite.
A indústria se fundiu com a concorrente suíça Nestlé no início do século 20. Em 1911, a Nestlé & Anglo-Swiss Condensed Milk Company publicou no Correio da Manhã, jornal do Rio de Janeiro, um alerta aos consumidores: "todo o rótulo que não tiver a moça com o balde na mão e outro na cabeça, não é o verdadeiro leite condensado marca Moça".
Naquela época, a indústria citava o "leite Moça" e a "marca Moça". Os consumidores se referiam ao produto importado como o "leite da Moça". No rótulo, continuava a marca Milkmaid.
A Nestlé inaugurou a primeira fábrica no Brasil em 1921. No interior de São Paulo, passou a produzir o leite condensado. Em 22 de janeiro de 1921, no Correio Paulistano, a empresa comunicou que, "além do Leite Condensado Moça, de importação, lançamos no mercado mais duas marcas, Moça e Ararense, ambas fabricadas em Araras".
Em mais de cem anos no mercado brasileiro, uma estratégia bem-sucedida da multinacional foi a publicação de receitas de doces nos rótulos do Leite Moça.




