
A escultura de um anjo recepciona os visitantes e fiéis ao lado da Basílica de Nossa Senhora das Dores, em Porto Alegre. A peça, toda branca, fica junto à pracinha onde as crianças brincam. Até a década de 1960, a obra de arte esteve no topo do templo católico.
A escultura tem mais de 120 anos. Em outubro de 1901, durante as obras de revestimento da fachada da Igreja das Dores, foram entregues as primeiras peças de ornamentação confeccionadas pelo artista João Vicente Friederichs, incluindo o primeiro anjo esculpido em argamassa. No ano seguinte, o escultor concluiu o segundo anjo e as três estátuas representando as virtudes teologais: Fé, Esperança e Caridade.

Os anjos foram projetados para ocupar as extremidades do frontão, na parte mais alta. Eles ladearam o coração com as sete espadas, imagem principal da igreja de devoção a Nossa Senhora das Dores.
Em 1963, um dos anjos caiu do topo da igreja. Aproveitando as obras de restauração da fachada e das torres, em 1966, o segundo anjo foi removido. Eles foram substituídos por pináculos, pequenas estruturas pontiagudas.
O anjo removido ficou guardado por quase 60 anos. Em novembro de 2024, a escultura foi colocada no Largo das Dores, junto ao estacionamento e ao espaço de convivência da comunidade.
— Ele foi restaurado. É uma imagem que acolhe todo mundo que chega, preservando a história da obra que compõem o conjunto arquitetônico tombado — explica o padre Lucas Matheus Mendes, pároco da basílica.

O outro anjo ficou destruído após a queda nos anos 1960.
Em 2022, o Papa Francisco concedeu o título de basílica à Igreja das Dores, que teve a pedra fundamental da construção lançada em 1807.






