
Em propagandas da década de 1960, a São Paulo Alpargatas S.A. já alertava os consumidores para as cópias das Havaianas. O calçado foi lançado pela indústria paulista em 1962. Inspiradas na sandália de dedo japonesa Zori, as Havaianas foram feitas de borracha e com textura da palmilha em formato do grão de arroz.
A indústria divulga que o primeiro modelo, a Tradi, foi fabricado nas cores branca e azul. Em fotos de propagandas de 1963 e 1964, já aparecem outras cores na tira e no solado: cinza, verde, amarela e preta.
Pelo preço e pela simplicidade, por muitos anos, as Havaianas ficaram conhecidas como "chinelo de pobre". Não eram incomuns os comentários depreciativos em relação ao calçado.
Na verdade, devido à resistência, os chinelos podiam ser usados por muito tempo, ficando desgastados. Quando a tira arrebentava, um preguinho improvisado nos salvava.
As Havaianas são apresentadas como "as legítimas". Em um anúncio de 1964, a fabricante alertava que "são muitas as sandálias que imitam as Havaianas", mas "nenhuma outra oferece tanto em utilidade, beleza, conforto e resistência". O texto avisava que as verdadeiras "têm a marca gravada na palmilha".

A Alpargatas conseguiu a patente do chinelo de dedo de borracha em 1966. Nos anos 1980, o Ministério da Fazenda incluiu a sandália na lista de produtos essenciais, como arroz e feijão, tabelando os preços no período de hiperinflação no Brasil.
A marca passou por uma revolução a partir da década de 1990. Novos modelos e novas cores. Novos consumidores passaram a desfilar com as Havaianas.
O chinelo de dedo ganhou o mundo. É um produto da identidade brasileira, vendido para mais de 100 países.



