Profundo conhecedor do pampa gaúcho e hábil estrategista militar, Bento Manoel Ribeiro foi decisivo na Guerra dos Farrapos. Ele ficou rotulado como "vira-casaca", porque liderou tropas nos dois lados. O estancieiro e militar começou com os farroupilhas, passou para os imperiais, voltou a defender os republicanos e terminou o conflito vencendo batalhas para o Império.
Bento Manoel é o tema do quarto e último episódio da temporada do programa Aconteceu no RS. Na entrevista já disponível no canal GZH no YouTube, o professor da PUCRS Edison Hüttner conta a trajetória do paulista tão bem-sucedido nas peleias no Sul do Brasil.
Nascido em Sorocaba, em 1783, Bento Manoel chegou ao Rio Grande do Sul ainda menino, acompanhando a família. O pai era tropeiro. O garoto cresceu trabalhando em estância.
Aos 18 anos, ingressou no regimento de dragões de Rio Pardo. Ele tinha grande domínio sobre cavalos, o que era fundamental para a principal força militar da época.
Depois do sucesso nas guerras na fronteira, ganhou terras em Alegrete. Antes do início da rebelião dos farroupilhas, em 1835, Bento Manoel era um militar a serviço do Império, atuando como comandante da Guarda Nacional na Fronteira Oeste.

Lutou ao lado dos farroupilhas por insatisfação com o presidente da província, Antônio Rodrigues Fernandes Braga. Poucos meses depois, passou para as tropas do Império, sendo acolhido por sua excelência militar, seu conhecimento do campo gaúcho e sua capacidade estratégica.
Liderou a defesa de Porto Alegre após a expulsão dos farroupilhas em 1836. Naquele ano, também comandou o cerco que prendeu Bento Gonçalves e outros rebeldes na Ilha do Fanfa, no Rio Jacuí.
De 1837 a 1839, o general Bento Manoel Ribeiro inverteu sua lealdade novamente, ficando a favor dos republicanos. Neste período ocorreram as maiores vitórias na luta contra o Império.
— Eu não o vejo como um traidor. Ele foi bem claro quando tomou uma opção. Comunicava quando trocava de lado. Foi muito honesto — avalia Hüttner.
Bento Manoel Ribeiro terminou a guerra ao lado dos imperiais. Ele faleceu em Porto Alegre, em 1855, reformado como marechal do Exército Brasileiro.




