
Em 17 de março de 1960, a cantora Elis Regina completou 15 anos, uma celebração especial para as meninas. A moradora da Vila do IAPI, em Porto Alegre, já fazia sucesso no rádio e nos palcos. Contratada pela Rádio Gaúcha, ainda sonhava com a gravação do primeiro disco.
A revista Radiolândia, do Rio de Janeiro, publicou fotos da festa de aniversário, que teve bolo e velinhas. Marta Fernandes Harzheim, apresentada como uma fã, enviou uma entrevista com a cantora. São respostas rápidas, mas reveladoras dos sonhos da menina aos 15 anos. É um questionário ao estilo daqueles cadernos compartilhados entre colegas de escola no passado, que eternizaram os pensamentos de um tempo.
O Almanaque Gaúcho republica as duas fotografias da festinha e a entrevista "pingue-pongue":
Como se sente com o título de melhor cantora?
Sinto-me imensamente feliz e honrada, apesar de continuar sendo a mesma Elis Regina dos outros tempos.
Cite três coisas boas da vida?
A amizade sincera, a inocência e a pureza das crianças, o aplauso dos fãs.
Quais seus artistas prediletos (rádio)?
Agostinho dos Santos, João Gilberto, Zezé Gonzaga, que, apesar de muitos não reconhecerem, é a melhor cantora do Brasil inteiro.
Se não fosse artista, o que gostaria de ser?
Gostaria não é bem o termo. Eu serei professora de História, Geografia e Inglês.
Tem irmãos?
Sim, um garoto que é uma beleza. Seu nome é Rogério.

Coleciona algo?
Sim. Flâmulas.
Em que ritmo se sente mais à vontade?
Ritmos americanos.
Gosta de histórias em quadrinhos?
Sim.
Gostaria de gravar?
Imensamente. Apesar de muitas gravadoras, por intermédio de seus representantes em Porto Alegre, se terem interessado pelo meu concurso, foi unicamente fogo-de-palha. Começou e logo acabou.
Em 1961, Elis Regina realizou o sonho de gravar o primeiro disco, Viva a Brotolândia, pela Continental. Ela deixou Porto Alegre, três anos depois, para morar no Rio de Janeiro.



