
A empresa Azevedo Bento acompanhou as grandes transformações do Brasil desde o tempo do Império. Fundada em 1855, começou como um armazém de secos em molhados no centro de Porto Alegre. Inicialmente, a razão social foi Macedo & Azevedo. O fundador foi o comendador João Batista Ferreira de Azevedo.
A colunista Giane Guerra noticiou que, depois de 170 anos, a empresa mais antiga do Estado encerrou as atividades. Na última fase, na Rua Voluntários da Pátria, a Azevedo Bento era indústria e comércio de sal, dona da marca Pirata.
O negócio já foi maior. No século 19, a casa comercial revendia uma variedade de produtos, desde alimentos e bebidas até sabão. A sede ficava na Rua Sete de Setembro.
Após uma série de trocas de sócios e de nomes, em 1917, a firma foi renomeada para Azevedo, Bento & Cia.. Pela nota publicada no jornal A Federação, os sócios eram José de Azevedo Sobrinho, Carlos Soares Bento e Thimotheo Pereira da Rosa.

Em propagandas da década de 1920, a empresa oferecia sal, cimento e a tradicional Fernet-Branca. Em um resgate da história, o livro Pôrto Alegre - Biografia Duma Cidade, publicado em 1940, cita que ela "construiu sólida reputação na venda de produtos alimentícios finos, como vinhos, azeites, conservas, queijos, bacalhau, açúcar e café". A firma abastecia Porto Alegre e o interior do Estado. Em Pelotas e Rio Grande, abriu filiais.
Montou estrutura para exportação de produtos coloniais, madeira e charque, com armazéns próprios. Outro diferencial foi a representação de companhias de navegação e seguros, inserindo Porto Alegre nas rotas comerciais do Brasil, da Europa e do Rio da Prata.
Fundada no tempo da escravidão, a casa comercial teve escravo. Em relatório do presidente da província, em 1860, é descrito um episódio envolvendo o "preto Agostinho, escravo de Macedo & Azevedo".

Em 170 anos, empresa testemunhou a chegada da República, guerras e as grandes enchentes que atingiram Porto Alegre, como em 1873, 1941 e 2024.
A Azevedo Bento foi comprada pela Romani S/A Indústria e Comércio de Sal, do Paraná, antes de encerrar um processo de recuperação judicial, em 2022. Em comunicado sobre o fim das atividades, a empresa justificou que "fatores externos tornaram insustentável" o negócio, citando, por exemplo, que a enchente reduziu ainda mais o calado da hidrovia até Porto Alegre.
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