
Depois de três anos de neutralidade, em 1917, o Brasil entrou na Primeira Guerra Mundial. O presidente Wenceslau Braz reagiu aos ataques alemães contra navios brasileiros e decidiu apoiar Inglaterra, França e Rússia. Soldados não combateram na Europa, mas uma missão médica foi enviada à França.
Com 17 médicos, o Rio Grande do Sul teve o segundo maior contingente na missão que embarcou no Rio de Janeiro em agosto de 1918. O Dr. Scylla Teixeira da Silva morreu durante a viagem, em uma parada em Dacar, vítima de gripe espanhola.
Os outros 16 médicos trabalharam em Paris: Adolfo Vianna Brasil, Alberto Souza, Basil Sefton, Diniz Martins Rangel Junior, Djalma Só Jobim, Ernesto Biaggini Leggerinni, Fábio Nascimento de Barros, Hélio Franco Fernandes, Henrique d'Ávila Ripper Monteiro, Hildebrando Humberto Varnieri, José Ignácio Valença Teixeira, Luiz Henrique Souza Lobo, Mario Kroeff, Renato Rodrigues Barbosa, Severo Evaristo do Amaral e Viriato Pereira Dutra.
O Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul resgata a trajetória desses médicos em uma nova exposição: Missão Médica Militar Brasileira - A Saúde na Primeira Guerra Mundial. A mostra reúne documentos, fotografias, objetos médicos e depoimentos que revelam o cotidiano em meio à guerra.

O diário do Dr. Djalma Só Jobim é um dos destaques. Ele descreveu a rotina desde o início da viagem de navio no Rio de Janeiro. A exposição apresenta também medicamentos utilizados no tratamento de ferimentos e doenças, além de equipamentos da época.
A pesquisa foi realizada ao longo de quatro anos e envolveu fontes acadêmicas, acervos institucionais e entrevistas com familiares de médicos que participaram da missão.

A exposição pode ser visitada gratuitamente. Mantido pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), o museu abre de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, na Avenida Independência, 270, em Porto Alegre.
Hospital Franco-Brasileiro
Em 18 de agosto de 1918, a missão brasileira partiu de navio do Rio de Janeiro. Chefiada pelo médico e deputado federal José Thomaz Nabuco Gouveia e orientada pelo general Napoleão Aché, era composta por 86 médicos. Cinco médicos do Exército e outros cinco da Marinha estavam no grupo. Os outros foram convocados e comissionados em patentes militares.
A missão foi integrada ainda por 17 estudantes de medicina, 15 esposas de médicos que atuaram como enfermeiras, 16 pessoas de outras formações e 30 praças do Exército para o serviço de guarda.
Quando chegaram à França, em 27 de setembro de 1918, os brasileiros foram divididos em dois contingentes. O menor viajou para cidades do interior. O grupo maior abriu, em prédio da Rua de Vaugirard, o Hospital Franco-Brasileiro, destinado ao atendimento dos feridos nas batalhas. Em função da epidemia de gripe espanhola, a unidade de saúde atendeu também a população doente.

Os brasileiros começaram a trabalhar no fim da guerra. Mesmo com a assinatura do armistício, em 11 de novembro de 1918, os profissionais mantiveram os atendimentos no hospital.
A missão foi oficialmente extinta em 19 de fevereiro de 1919. As instalações e os materiais do Hospital Franco-Brasileiro foram doados à Faculdade de Medicina de Paris. Nos jardins do Hospital de Vaugirard, uma placa de bronze relembra a atuação dos brasileiros na Primeira Guerra Mundial.

