O sabor e o aroma dos churros do Tio Jora são inigualáveis. A prova da qualidade da massa frita e dos recheios está na longevidade do negócio. Jorami de Figueiredo, 72 anos, completou 50 anos no comércio de churros. No verão de 1975, em um carrinho alugado, começou a fazer o produto em Capão da Canoa.
O dono do Churros do Tio Jora trabalha desde os 14 anos. Ele morava no bairro Azenha, em Porto Alegre, e vendia balas, rapaduras e outros doces nas ruas. No Estádio Olímpico, em 1967, virou pipoqueiro. Jora acompanhou as transformações da cidade, trabalhou em locais que já fecharam e testemunhou o surgimento de outros.
Na adolescência, foi baleiro no Cine Castello. No Ginásio da Brigada Militar, vendia seus produtos ao público que vibrava no Ringue Doze, programa de luta livre da TV Gaúcha (RBS TV).
Ele foi ambulante no parque de exposições do Menino Deus, em Porto Alegre. Em 1970, trabalhou na exposição estadual de animais que inaugurou o parque em Esteio.
Em frente ao Centro Comercial de Porto Alegre (Shopping João Pessoa), em 1971, colocou carrinho de pipoca, junto à entrada do supermercado Real. No verão, quando os porto-alegrenses iam para a praia, Jora partia junto. Trabalhou com pipoca e algodão-doce em Cidreira e, depois, em Capão da Canoa.
No início de 1975, surgiu a oportunidade de alugar um carrinho de churros na Rua Pindorama, em frente ao antigo boliche, em Capão da Canoa. O negócio deu certo. Na metade daquele ano, já comprou o próprio carrinho para fazer churros. Não parou mais.
Em parques, ruas e eventos de Porto Alegre, conquistou a fidelidade da clientela. No verão, continuou com carrinho na praia. Jora chegou a morar em Capão da Canoa.
— Eu até tentei outros empregos e tive outros negócios, mas gosto de estar na rua. Os churros se tornaram a minha paixão — revela Jora.
Dos cinco filhos, um seguiu o pai na atividade. Desde 2013, Jora ganhou a companhia da esposa, Daniela Pasin, no trabalho. Além da participação em eventos, os carrinhos deles ficam no Centro Histórico de Porto Alegre, na esquina das ruas Uruguai e José Montaury, e na Praça do Mini Golfe, em Capão da Canoa.
Eles vendem churros tradicionais, gourmet e espanhóis, mais finos e acompanhados por pote de doce de leite. O preferido ainda é o tradicional de doce de leite.
Uma cunhada de Jora atende atualmente no carrinho do Centro Histórico, mas ele prepara todos os dias a famosa massa dos churros. Os clientes agradecem.





