O Banco Meridional está na memória de ex-funcionários e ex-clientes. Para muitos gaúchos, foi o primeiro emprego ou a primeira conta bancária. Inaugurado em 12 de agosto de 1985, já nasceu grande, somando 378 agências.
Em uma segunda-feira, primeiro dia de funcionamento, telefonistas do novo banco não escondiam a alegria quando atendiam às ligações.
— Bom dia. Banco Meridional do Brasil S/A conta com você — falavam ao telefone.
O Meridional foi criado a partir da intervenção do Banco Central nos conglomerados do Banco Habitasul e do Banco Sulbrasileiro, que enfrentavam problemas de liquidez e deixavam clientes desesperados. Em lei aprovada em maio de 1985, a União ficou autorizada a desapropriar as ações das instituições financeiras em crise e aportar dinheiro no novo banco.
O desfecho foi celebrado por bancários, empresários, políticos e clientes. Durante seis meses, a mobilização gaúcha incluiu vigília e acampamento em Brasília. Com sede em Porto Alegre, o Meridional foi presidido, no início, por Sinval Guazzelli, ex-governador do Estado.
Uma carta de opção, assinada por milhares de investidores em todo o país, transformou 40% das aplicações nos bancos Habitasul e Sulbrasileiro em ações do Meridional e reescalonou o pagamento dos 60% restantes. De acordo com reportagem de Zero Hora na época, a medida incorporou Cr$ 400 bilhões como capital dos investidores. Outros Cr$ 900 bilhões foram colocados pela União.
A inauguração do banco contou com uma festa na agência matriz, na Praça da Alfândega, em Porto Alegre. O governador Jair Soares foi o primeiro a abrir conta no Meridional. No primeiro dia, o banco captou impressionantes Cr$ 55 bilhões em depósitos, um valor que surpreendeu até os mais otimistas. Corrigindo pela inflação do período, equivaleria hoje a aproximadamente R$ 150 milhões. Os gaúchos davam sinal de confiança ao novo banco.

Muitos ex-clientes do Sulbrasileiro reativaram suas contas imediatamente. Entre eles estava o bancário aposentado Astúrio Falkenbach, então com 86 anos. Ele era um dos mais antigos depositantes e ex-funcionário do Banco Nacional do Comércio, um dos três bancos que formaram o Sulbrasileiro.
— Entrei no Banco do Comércio em 13 de outubro de 1918 e me aposentei em 1968. Até hoje mantenho minha conta — contou à reportagem de Zero Hora no dia de abertura do Meridional.
Em 1997, em leilão de privatização, o governo federal vendeu o Meridional ao Banco Bozano, Simonsen. O Banco Santander, da Espanha, comprou o Bozano e o Meridional em 2000.




