
Na volta de uma modesta estação de trem, nasceu a cidade de Canoas. O território à direita do Rio Gravataí, ocupado por fazendas, foi cortado pela estrada de ferro de Porto Alegre a São Leopoldo na segunda metade do século 19. Inaugurada em 1874, a linha teve uma parada construída no Capão das Canoas, que virou localidade de veraneio.
A estrada de ferro foi feita pela empresa The Porto Alegre and New Hamburg Brazilian Railway Company Limited, comandada pelo britânico John Mac Ginity. O ponto escolhido para a estação ao norte de Porto Alegre ficava nas terras de Olavo Ferreira, que aproveitou para ganhar dinheiro negociando lotes no entorno.
— A burguesia da Capital comprou chácaras para descanso. Em pouco tempo, foram instalados dois hotéis. No trem, o deslocamento era rápido, romântico e moderno — explica o historiador Airan Milititsky Aguiar.
As famílias encontraram um ambiente rural e bucólico perto da cidade. Mac Ginity também ergueu uma casa na localidade.
A pequena estação era um abrigo simples, de madeira, com bilheteria. Ela tornou-se ponto de encontro dos viajantes, veranistas e moradores.
A construção das casas de veraneio e de final de semana atraiu trabalhadores, gerando um fluxo de novos moradores e negócios. A ferrovia escoava madeira e produção agropecuária. Em 1880, o povoado passou a pertencer à Vila Nossa Senhora dos Anjos de Gravataí, emancipada de Porto Alegre.
Em 1885, circulavam oito trens especiais entre Canoas e Porto Alegre aos domingos, além das viagens normais até Novo Hamburgo. A oferta de horários revela o rápido desenvolvimento turístico da localidade.
Outra estação de trem (atualmente é centro cultural) foi construída, em 1934, perto da primeira, que acabou destruída. A velha estação ficava próximo à Rua Domingos Martins, no centro de Canoas. A linha da Trensurb ocupa o leito da ferrovia de 1874.

Canoas se emancipou de Gravataí em 27 de junho de 1939. No Censo de 2022, o município somava 347 mil moradores. É o terceiro maior em população no Rio Grande do Sul.



