
No início dos anos 1960, a Chácara das Camélias, em Porto Alegre, recebeu treinos do Internacional e jogos de futebol amador. O velho campo da esquina das ruas José de Alencar e Gonçalves Dias, no bairro Menino Deus, já agonizava. Por quatro décadas, foi o estádio do Fuss-Ball Club Porto Alegre, do Nacional Atlético Clube e, brevemente, do Esporte Clube Cruzeiro.
Fundado em 15 de setembro de 1903, o Fuss-Ball passou a jogar na Chácara das Camélias em 1915. Em janeiro de 1916, começou a construção da sede. O clube trocou o nome para Foot-Ball Club Porto Alegre durante a 1ª Guerra Mundial, e, mais tarde, para Futebol Clube Porto Alegre.
Novo pavilhão para a torcida foi inaugurado em 8 de abril de 1923. O Porto Alegre venceu por 2 a 1 o Internacional naquele domingo festivo. O jornal A Federação noticiou que 6 mil pessoas lotaram o pavilhão e as gerais. No final dos anos 1920, a Chácara das Camélias era o estádio mais luxuoso da cidade.

Em 1936, o jornal A Federação descreveu o estádio. O pórtico principal ficava na Rua Gonçalves Dias. A elegante sede social era "de alvenaria e em estilo suíço". Ao lado de alameda ajardinada, ficavam quadras de tênis. A sede ainda oferecia quadra de cimento para basquete e voleibol e o campo para futebol com um amplo pavilhão e arquibancadas.
Em função de uma dívida não paga, o estádio virou alvo de disputa judicial com a credora no final dos anos 1930. Em 1938, o Esporte Clube Cruzeiro encontrou uma brecha para tomar o campo do rival.
— O Cruzeiro depositou na Justiça um valor e ficou de posse do estádio. De um dia para outro, os diretores entraram e começaram a mexer no campo, até pintaram a fachada em azul e branco — conta Douglas M. Rambor, do grupo Canchas de Porto Alegre, que faz pesquisas com Leonardo Reis de Souza e Ricardo Soares.
O Futebol Clube Porto Alegre só recuperou a Chácara das Camélias em 1939, mas seguiu endividado. Em 1941, ainda tentou fusão com outro clube, o Americano, mas não deu certo. Em 1944, sem saída para a crise financeira, o veterano clube foi extinto. A Chácara das Camélias foi comprada em leilão judicial e sediou os jogos do Nacional Atlético Clube, o time dos ferroviários. O estádio foi reformado e ampliado.
Em 1956, o clube perdeu uma disputa judicial com a Associação dos Funcionários da Viação Férrea, reconhecida como proprietária do estádio. O Ferrinho, apelido do rubro-negro, jogou na Chácara das Camélias até 1958.
O estádio ganhou fama de ser cemitério de clubes: Americano, Porto Alegre e Nacional. No terreno, ficam hoje a Escola Estadual de Ensino Médio Infante Dom Henrique e o supermercado Nacional, que está fechando as portas.


