
A morte da escritora gaúcha Carmen da Silva completou 40 anos, mas seus textos permanecem atuais. Além dos livros publicados, por mais de 20 anos escreveu para a revista Claudia. O Almanaque Gaúcho resgata a história da feminista, compartilhada pela professora da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) Nubia Hanciau, responsável pelo projeto "Carmen da Silva, uma rio-grandina precursora do feminismo brasileiro".
Nascida em Rio Grande em 1919, Carmenzinha, apelido carinhoso entre os mais próximos, se formou professora primária no Colégio Santa Joana D'Arc. Frequentadora assídua da Biblioteca Rio-Grandense, foi o lado investigador e curioso do pai, Dr. Pio, que estimulou seu saber e a leitura.
Ela trabalhou na Companhia de Petróleo Ipiranga. Escrevia, de forma eventual, artigos em jornais locais. Em 1944, partiu para Montevidéu. Em Histórias híbridas de uma senhora de respeito, seu último livro, publicado em 1984, são narrados os primeiros anos da adolescência em Rio Grande, e as razões que a levaram aos 25 anos a abandonar o país.
Carmen foi morar mais tarde em Buenos Aires. Ela atuava na parte financeira em negócios internacionais, uma área com poucas mulheres. Em 1957, publicou na Argentina o seu primeiro romance, o premiado Setiembre.
O Rio de Janeiro foi o destino da gaúcha em 1962. Um ano depois, Carmen foi aprovada pela Editora Abril para vaga na revista Claudia. Ela assumiu o espaço "A arte de ser mulher". Manteve também a seção "Carmen da Silva responde", recebendo avalanche de 400 a 500 cartas mensais, escritas em todos os tons: desesperadas, com insultos, apelos, pedidos de clemência, etc. Nas respostas procurava levar suas leitoras a rever suas posições e a buscar os próprios caminhos.

A escritora levou oito anos para introduzir a palavra "feminismo" em um artigo, em função do preconceito da época. Carmenzinha escreveu quatro livros.
— Pouco se sabe sobre ela, seus artigos na revista Claudia, sua farta correspondência com as leitoras entre 1963 e 1985, seus livros. Os seus textos mobilizaram a consciência das mulheres de sua época no combate ao machismo estrutural muitas vezes imperceptível. Ela era muito ousada — recorda a professora Nubia.
Entre os temas dos seus textos estão o machismo, o casamento, a infidelidade, o sexo e o aborto. A gaúcha morreu no estado do Rio de Janeiro, em 29 de abril de 1985. O jornal O Globo assim noticiou em seu obituário: "Carmen da Silva, jornalista, escritora e feminista, faleceu no Hospital da Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda, onde fora internada sexta-feira com aneurisma na aorta abdominal, aos 65 anos".




