O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello comentou nesta segunda-feira (7) a crise na instituição. A entrevista foi concedida ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha.
Em uma primeira análise sobre a troca de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, Marco Aurélio afirmou:
— Eu fiquei estarrecido, eu fiquei atônito. E aí veio a justificativa para aquele contrato fabuloso de honorários, né? E é ruim, é muito ruim.
Ele ainda lembrou que, após a morte do ministro Teori Zavascki, em 2017, chegou a defender a indicação de Moraes à Corte quando questionado pela imprensa sobre quem deveria substitui-lo.
— Os jornalistas me telefonaram: "Ministro, e agora?" Agora o presidente Temer tem o homem talhado para o cargo, foi professor universitário, foi do Ministério Público, secretário de Segurança do prefeito Kassab, secretário de Segurança de governo do governador Geraldo Alckmin e ministro da Justiça, mas ele, aqui para nós, ele perdeu totalmente a mão — avaliou ainda.
Marco Aurélio também ponderou que, como instituição, o STF precisa se fortalecer, pois tem uma responsabilidade enorme e o considera "a última trincheira da cidadania". Ele ainda lembrou que cada integrante individualmente está "de passagem".
— Os integrantes devem compreender esse poder e exercê-lo com temperança e com fidelidade absoluta à lei das leis, que é a Constituição Federal.
O magistrado ainda opinou:
— O Supremo está sangrando. O Supremo está, meu Deus do céu, aos olhos da população, execrado. Pergunte a qualquer pessoa minimamente esclarecida, você gostaria de ser julgado pelo Supremo?
Perguntado sobre que conselho daria ao presidente da Corte, o ministro Edson Fachin, ele ponderou que o magistrado não precisa de conselhos, mas revelou o que faria no lugar dele.
— O ministro Fachin é um grande acadêmico, não precisa de conselho. E, no estágio atual, nesses tempos estranhos em que se inverte valores, ele vem até mesmo sendo criticado. Fosse eu o presidente, convocaria imediatamente uma sessão plenária pública e colocaria o tema sobre a mesa e colheria votos para se deliberar quanto a providências — finalizou.



